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domingo, 22 de janeiro de 2012

4 anos sem Heath Ledger

Heath Ledger (O Segredo de Brokeback Mountain), que ganhou o Oscar póstumo por sua atuação como Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas, morreu há quatro anos, deixando Hollywood perplexa.

O jovem ator australiano morreu inesperadamente em 22 de janeiro de 2008 por overdose de medicamentos, em meio às filmagens de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, filme de Terry Gilliam do qual participava. O corpo de Ledger foi encontrado em seu apartamento em Nova York. Encontrado morto por volta das 15h26 (horário local) por sua massagista e por sua empregada, o ator estava deitado de bruços, com o rosto para baixo e inconsciente, com remédios para dormir perto da cama.

Muitos boatos surgiram quando Ledger foi encontrado morto e alguns veículos apontaram que ele tinha se suicidado, mas a autópsia apontou que teve uma overdose acidental de medicamentos receitados pelo seu médico.

Segundo o laudo oficial divulgado para a imprensa, Ledger teve uma "intoxicação aguda" pelo uso de seis medicamentos: oxicodona, hidrocodona, diazepam, temazepam, alprazolam e doxilamina, combinação de medicamentos para dores, insônia e ansioliticos.

O corpo do ator foi levado para a Austrália e cremado. Suas cinzas foram jogadas pela família em um cemitério, onde estão enterrados dois de seus avós, e em sua praia favorita.

Em 2005, Ledger teve uma fiilha, Matilda, fruto de seu relacionamento com a atriz Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn).

No discurso de agradecimento do Globo de Ouro de 2009, Christopher Nolan, diretor de Batman - O Cavaleiro das Trevas, afirmou que Heath Ledger deixará eternamente saudade, mas nunca será esquecido. Na época das filmagens, o ator confessou que não conseguia dormir desde que começou a interpretar o Coringa. "Não consigo parar de pensar. Meu corpo está exausto e minha mente ainda trabalha", disse Ledger ao NY Daily.

Pela interpretação, Heath Ledger recebeu os prêmios concedidos pelo Australian Film Institute, pela Broadcast Film Critics Association Awards, pelos críticos de Boston, Chigaco, Los Angeles, do Sudeste dos Estados Unidos, de Toronto (Canadá) e de Washington. Também recebeu o prêmio do Sindicato de Atores de Hollywood, o Bafta, o MTV Movie Awards e o Globo de Ouro da categoria.

Fonte: Cineclick

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dr. Parnassus estreia em Março na HBO

HBO estreia em março o último filme de Heath Ledger

O último filme do ator australiano Heath Ledger, que ele não teve a chance de terminar, será exibido em março na HBO. O filme foi dirigido por Terry Gilliam também responsável por sucessos como As Aventuras do Barão de Munchausen e Os 12 Macacos.

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, descrito como um "conto moral de fantasia", teve uma recepção morna da crítica. O filme passou a ser um tributo a Ledger da parte dos seus colegas Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, que entraram no projeto para interpretar o papel do australiano morto em janeiro de 2008.

"Eu acredito que foi o amor do público por Heath que fez com que o filme fosse concluído", afirmou Terry Gilliam na entrevista coletiva que concedeu no Festival de Cinema de Cannes. "Todos, no elenco e na equipe, estavam determinados a finalizar o filme. Era importante para mim já que era o último papel dele", completou.

O vencedor do OSCAR 2010 de melhor ator coadjuvante por Batman: Cavaleiro das Trevas morreu no meio das filmagens, aos 28 anos, após uma overdose acidental de medicamentos para dormir.



Um conto sobre o bem e o mal, a fantasia comandada por Gilliam sobre o poder da imaginação conta ainda com interpretações do cantor Tom Waits como o diabo e de Christopher Plummer (de O Informante) como o Doutor Parnassus.

"Eu digo: use sua imaginação para ver o mundo", declarou o diretor de 68 anos, famoso por ter integrado o grupo de humor britânico Monty Python. Após a morte de Ledger, Gilliam retrabalhou o roteiro para permitir as participaçãos de Depp, Law e Farrell no mesmo papel em três segmentos diferentes.

O produtor-executivo do filme de 45 milhões de dólares, Samuel Hadida, afirmou que quando Ledger morreu, as filmagens do que seria a vida real já haviam sido encerradas em Londres, restando apenas as cenas do mundo imaginário que seriam rodadas em Vancouver.

No filme, exibido fora da competição no Festival de Cinema de Cannes 2010, Ledger interpreta o misterioso Tony, que se une ao grupo do Doutor Parnassus depois de ser salvo de uma execução por enforcamento.

Fonte: TV Magazine

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dr. Parnassus vai ser exibido em Minas

Café Cinematográfico exibe O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, com último papel de Heath Ledger

Comemorando o aniversário de dois anos do projeto Café Cinematográfico, os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG) prometem uma tarde regada a guloseimas, cinema e bate-papo no próximo sábado (30/10). O filme da vez é O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, que será exibido gratuitamente a partir das 13h, no Auditório Senhor José Vicente Justino, no campus de Coronel Fabriciano. Os interessados em participar deverão levar lanches que serão compartilhados em um café comunitário.

Quando o ator Heath Ledger faleceu, em janeiro de 2008, ele estava no meio das gravações de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, no qual interpretava Tony, um dos personagens principais do filme. Para qualquer diretor na mesma situação, isto seria motivo para cancelar a produção, mas não para Terry Gilliam. O cineasta, com a ajuda dos atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel (que assumiram o papel de Ledger), deu continuidade ao filme, fazendo do mesmo uma obra com direção de arte, fotografia, figurino, efeitos visuais e sonoros impecáveis.

"A despeito da qualidade do filme, o modo como os atores dão continuidade ao personagem de Ledger é o grande charme do longa. Depp, Law e Farrel surgem dentro do tal mundo imaginário do Dr. Parnassus, onde se pode ser quem quiser. E é justamente a mudança de rosto do personagem o que torna a história ainda mais interessante, demonstrando a criatividade do diretor e sua equipe na resolução de um problema que poderia ter arruinado a produção", destaca Rodrigo Cristiano Alves, professor responsável pelo evento.

Sinopse
O Dr. Parnassus (Christopher Plummer) tem o dom de inspirar a imaginação das pessoas. Dono de uma companhia de teatro itinerante, ele conta com a ajuda de seu assistente Percy (Verne Troyer) e do mágico Anton (Andrew Garfield) para oferecer ao público a chance de transcender a realidade e entrar em um universo sem limites, o qual pode ser alcançado ao atravessar um espelho mágico.

Tony (Heath Ledger) foi encontrado pela trupe dependurado em uma ponte, à beira da morte. Após ser salvo, ele passa a integrar a equipe, como forma de escapar de seu passado. Em uma tentativa de modernizar o show, ele termina por conhecer o novo mundo oferecido por Parnassus e passa por diversas transformações no decorrer de sua viagem. Entretanto, a mágica do espelho tem um preço, que está perto de ser cobrado pelo diabo ao Dr. Parnassus: sua preciosa filha Valentina (Lily Cole).

"O mundo imaginário do Dr. Parnassus, na verdade, diz muito sobre os pecados que cometemos, os erros que não assumimos, as histórias que deixamos de viver, o capitalismo que nos consome e os sonhos que se perdem pelo meio do caminho. Além de ser um grande filme, a obra é uma bela homenagem ao ator que perdemos tão precocemente, Heath Ledger", completa o professor Rodrigo.

O ator
Heathcliff "Heath" Andrew Ledger era australiano. Atuou inicialmente em filmes e na televisão de seu país natal. Em 1998, mudou-se para os Estados Unidos, onde prosseguiu com a carreira, atuando em produções como 10 Things I Hate About You (1999), The Patriot (2000), Monster's Ball (2001), Brokeback Mountain (2005) e The Dark Knight (2008), filme pelo qual recebeu o Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante.

No dia 22 de janeiro de 2008, seu corpo foi encontrado em seu apartamento, sendo a causa da morte prematura divulgada apenas cerca de duas semanas depois, quando o serviço de medicina legal de Nova Iorque concluiu que havia ocorrido uma "intoxicação acidental por remédios prescritos". Ledger faleceu aos 28 anos de idade.

Serviço
Café Cinematográfico
- Exibição do filme O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
30/10 (sábado) - 13h
Local: Auditório Senhor José Vicente Justino, Campus Coronel Fabriciano - Av. Tancredo Neves, 3500, B. Universitário, 35170-056 - (31) 3846-5500

Aberto ao público, com entrada franca
Os interessados em participar deverão levar lanches que serão compartilhados em um café comunitário.

Fonte: Unileste MG

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Pra quem quiser saber todos os locais que o filme está sendo exibido, é só clicar AQUI.

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domingo, 24 de outubro de 2010

Dr. Parnassus estréia em Curitiba

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

O Dr. Parnassus tem o dom de inspirar a imaginação das pessoas. Dono de uma companhia de teatro itinerante, ele conta com a ajuda de seu assistente Percy e do mágico Anton para oferecer ao público a chance de transcender a realidade e entrar em um universo sem limites, o qual pode ser alcançado ao atravessar um espelho mágico. Tony foi encontrado pela trupe dependurado em uma ponte, à beira da morte. Após ser salvo, ele passa a integrar a equipe, como forma de escapar de seu passado. Em uma tentativa de modernizar o show, ele termina por conhecer o novo mundo oferecido por Parnassus e passa por diversas transformações no decorrer de sua viagem. Só que esta mágica tem um preço e ele está perto de ser cobrado ao dr. Parnassus: sua preciosa filha Valentina.

Ficha Técnica
Título Original: The Imaginarium of Dr. Parnassus
Gênero Aventura
Ano: 2009
País: Canadá / França / Inglaterra
Diretor: Terry Gilliam
Elenco: Heath Ledger, Johnny Depp, Jude Law, Colin Farrell, Christopher Plummer
Duração: 2h02

Salas de cinema e horários:
Cineplex Batel 3: 13h45 e 16h00

Trailer:


Fonte: Bem Paraná
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sábado, 18 de setembro de 2010

Dr. Parnassus estréia em Recife

A despedida de Heath Ledger

Com um atraso considerável, quando já está sendo lançado em DVD, chega aos cinemas do Recife O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, dirigido pelo ex-integrante do grupo Monty Python, Terry Gilliam. O filme ganhou notoriedade por ter sido o último a contar com a participação do ator Heath Ledger, encontrado morto em janeiro de 2008, aos 28 anos e no auge da carreira. Mas, como bem diz o slogan da película, Dr. Parnassus é "muito mais que o último filme de Heath Ledger". O filme é um vertiginoso exercício de imaginação, criatividade e beleza visual.

O roetiro é simples, mas cheio de reviravoltas. Dr. Parnassus é um imortal que tem o poder de fazer com que as pessoas vivam suas fantasias quando entram em um espelho que ele usa em seus shows mambembe, geralmente em ruas desertas e para uma plateia de bêbados. O problema é que Parnassus é um jogador inveterado, que conseguiu a imortalidade depois de vencer uma aposta com o diabo (mais desonesto que malvado na interpretação de Tom Waits).

Acontece que outra aposta do Dr. Parnassus com o diabo, ou Sr. Nick, está prestes a vencer: em troca da juventude, para ficar com seu grande amor, Parnassus prometeu sua filha, que seria entregue quando ela fizesse 16 anos. E faltam três dias para isso acontecer quando a trupe encontra Tony, um tipo misterioso, que perdeu a memória. O diabo então ressurge com uma nova proposta e Tony será decisivo para os planos do Dr. Parnassus.

Com a morte de Heath Ledger faltando apenas seis semanas para as gravações serem finalizadas, Terry Gilliam teve que encontrar alguma forma de terminar o filme sem o ator. Assim, Jude Law, Johnny Depp e Colin Farrell se encarregaram de dividir a interpretação de Tony, que muda de rosto quando entra no espelho.

No Recife, o filme estreia apenas no circuito de sessões de arte da rede UCI Ribeiro. A primeira exibição no Recife vai ser amanhã, às 12h10, no cinema do Shopping Plaza. Na segunda-feira, às 19h30, é exibido no multiplex do Shopping Tacaruna. Na próxima quinta-feira é a vez do Shopping Boa Vista, com sessão às 20h30.

Fonte: Diário de Pernambuco
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dr. Parnassus no MovieBox

Matérias sobre o filme O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus no programa MovieBox, do canal Telecine:



terça-feira, 11 de maio de 2010

Curiosidade sobre Dr. Parnassus

Foi postado no Imdb na Seção "Você Sabia?" sobre o filme "O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus":

De acordo com Terry Gilliam, a última fala de Heath Ledger no set de filmagem foi "não atire no mensageiro". Quando Johnny Depp filmou este personagem após a morte de Heath, Depp perguntou a Gilliam se ele poderia adicionar uma nova fala "não atire no mensageiro", sem saber que Ledger havia improvisado uma fala idêntica. Gilliam ficou surpreso e falou "Heath ainda está por aí. Johnny está conseguindo sintonizar com Heath, de alguma forma. Quer dizer, Shirley MacLaine adoraria tudo isso".

Fonte: Depp Lovers

Terry Gilliam leva o Dr. Parnassus para além do País das Maravilhas

Parece até sacanagem lançarem no Brasil “O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus”, projeto do ex-Monty Python Terry Gilliam adiado devido à morte prematura de seu astro Heath Ledger, logo depois do irregular “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton. E nem é pela presença de Johnny Depp em ambos. Acontece que Gilliam não precisa de uma história consagrada ou de efeitos 3D em uma sala IMAX para enlouquecer a plateia e superar Burton em todos os sentidos.

Gilliam conta a história do Dr. Parnassus (Christopher Plummer), artista mambembe que roda Londres com sua trupe apresentando um espetáculo bizarro. O público é convidado para atravessar um espelho (opa!) e entrar em um mundo fantástico criado pela sua imaginação. Ao lado do Doutor, a filha prestes a completar 16 anos (Lily Cole), um assistente apaixonado por ela (Andrew Garfield) e um anão (Verne Troyer) dono das melhores falas do filme.

Dr. Parnassus, o artista ancião com mais de mil anos de idade sofre com um vício: não consegue resistir a uma apostinha com o capeta (Tom Waits, sensacional). Enquanto isso, seus funcionários salvam a vida de um jovem misterioso (Heath Ledger) que traz novas perspectivas aos negócios da trupe.

A presença de Heath Ledger em seu derradeiro papel torna “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” um filme mais atípico do que ele já seria normalmente. O ator se foi antes de concluir o trabalho, obrigando Gilliam e seu co-roteirista Charles McKeown a reescrever algumas cenas e contar com a ajuda de alguns amigos famosos. A coisa ficou ainda mais louca, e o personagem de Ledger ganhou as faces de Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, no tributo mais bacana que seus colegas poderiam fazer.

Além de uma solução criativa, a homenagem dá novo sentido a frases antológicas como “nada é permanente, nem a morte” ou “você não pode evitar que uma história seja contada”, transformando o circo de Gilliam em uma experiência quase metalinguística.

Não é seu melhor trabalho e está longe de ser um filme perfeito, mas o talento de Gilliam para o surreal, o visual arrebatador, o clima de magia decadente (lembranças de “As Sete Faces do Dr. Lao”, clássico da Sessão da Tarde) e as performances excepcionais de Ledger e Plummer fazem do “Dr. Parnassus” um filme diferente de tudo que tem saído nos cinemas nos últimos tempos. Obrigatório para quem não precisa de óculos especiais para entrar em mundos imaginários.

Fonte: Pipoca Moderna

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Última Loucura de Heath Ledger

A morte do ator durante as filmagens tornou “Dr. Parnassus” obrigatório – e ainda mais delirante

A promessa que O mundo imaginário do dr. Parnassus faz ao espectador é transcender a realidade pela imaginação. Para isso, basta cruzar o espelho ao fundo de um palco. É uma metáfora do escapismo teatral. Mas essa figura de linguagem encontrou, no meio do caminho, a morte real. O astro do longa, o ator Heath Ledger, morreu durante as filmagens. Para salvar o que parecia irremediável, o diretor Terry Gilliam recorreu a uma forma de ilusionismo: a edição digital.

Assim se deu o primeiro encontro do diretor com a alta tecnologia. Antes de ser celebrado pelas visões quiméricas, Gilliam fez fama com vinhetas animadas feitas à mão. Com o início da produção de Dr. Parnassus, em novembro de 2006, expandiu sua arte com técnicas como green screen e CGI (geração de imagens por computador). “Quero que o espectador fique em dúvida sobre os efeitos visuais”, disse. “Usei os métodos manual e digital, sem que nenhum deles vire um fetiche. São ferramentas.”

Foi por causa dos esboços que Ledger se ofereceu para trabalhar no projeto, no início de 2007. O ator estava filmando Batman, O Cavaleiro das Trevas. Apesar de imerso no papel do Coringa (que lhe renderia um Oscar póstumo) e em problemas pessoais, arranjou tempo para atuar no filme do amigo, rodado em locações nos arredores da Ponte Blackfriars, em Londres. E trouxe com ele a filha de 3 anos, Matilda. Ledger se encantou com a fábula sobre um grupo de teatro mambembe que percorre as ruas sujas da cidade em um palco sobre rodas. Assumiu o papel de protagonista, o saltimbanco Tony.

No roteiro, Tony surge pendurado por uma corda na ponte e é resgatado pela trupe, formada pelo mágico Anton (Andrew Garfield), o anão Percy (Verne Troyer) e a ingênua Valentina (Lily Cole). O mentor é o pai dela, Doutor Parnassus (Christopher Plummer). Ele tem 1.000 anos de idade e é capaz de levitar. Adquiriu tais poderes ao fazer um pacto com o senhor Nick (Tom Waits). Em troca, prometeu ao diabo que lhe daria Valentina, quando ela fizesse 16 anos.
O aniversário se aproxima, e Parnassus entra em pânico. A presença de Tony altera o cotidiano da companhia. Até então, os atores tentam inutilmente convidar as pessoas a ver o espetáculo. Quem hoje se encantaria por alegorias esfarrapadas?

Tony introduz novas ideias, como cenários modernos e nu artístico. E convida o público a atravessar o espelho mágico. Os poucos candidatos a cruzá-lo vivem, do outro lado, o que sonhavam. Valentina e Tony se apaixonam. Mas o diabo vem fazer a cobrança. Enquanto Parnassus tenta renegociar a dívida, o casal foge pelo espelho. As filmagens se encerraram nesse ponto da trama. O plano incluía tomadas digitais num estúdio em Vancouver. Ledger fez uma pausa em Nova York, onde morava, para entregar Matilda à mãe, a atriz Michelle Williams, de quem havia se separado. Ele amargava a depressão, com a disputa legal pela guarda da menina. No set, fumava maconha e bebia. “Essa mulher vai me matar”, disse, diante da equipe. Em 22 de janeiro de 2008, foi encontrado morto em seu apartamento, aos 28 anos. A causa oficial da morte foi overdose de medicamentos receitados.

CONTRASTE
A trupe do Doutor Parnassus apresenta uma peça fantástica (e anacrônica) nas ruas da Londres atual. Poucos assistem ao espetáculo

Gilliam pensou em parar. De notória má sorte, já havia passado por situações parecidas: em 2001, suspendeu as filmagens de seu Dom Quixote quando um ator ficou paralisado. Mas decidiu seguir. Tinha um número de sequências com Ledger suficiente para prolongar a vida do personagem por meio digital. Só teria de usar sua também famosa imaginação. Tratou de convencer três amigos de LedgerJude Law, Johnny Depp e Colin Farrell – a viver Tony além do espelho. Cada um viveu uma faceta do herói e, ao mesmo tempo, prestou tributo ao amigo. Assim, Dr. Parnassus ganhou novos ângulos de loucura e extravagância. O filme critica a leviandade da sociedade de consumo e defende a abolição da realidade. Mas a utopia se realizou no mundo concreto. Lá está Heath Ledger vivo, em imagens delirantes. Não poderia haver melhor legado. A arte venceu a morte.

Fonte: Revista Época

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Heath Ledger se despede das telas em filme carregado de psicodelia

'O mundo imaginário do Dr. Parnassus' estreia nesta sexta-feira (7). Surrealismo não esconde perda de rumo da trama após a morte do ator.

Nos créditos finais de "O mundo imaginário do Dr. Parnassus", antes mesmo do nome do diretor Terry Gilliam, sobe a frase "um filme de Heath Ledger e seus amigos". A homenagem é uma reverência ao ator, que morreu em janeiro de 2008, meses antes de o filme ser concluído.

Mais que o último parágrafo em seu epitáfio, no entanto, "Dr. Parnassus" é uma evidência do talento do astro de "O Segredo de Brokeback Mountain". À vontade na tela, Ledger parece livre do suposto esgotamento emocional pelo papel de Coringa em "Batman - O Cavaleiro das Trevas", que estreou seis meses depois de sua morte.

Leitura de mentes
"O mundo imaginário do Dr. Parnassus" parte da chegada de um forasteiro, o desmemoriado Tony (vivido por Ledger), à trupe do Dr. Parnassus, interpretado pelo veterano Christopher Plummer (de "Em algum lugar do passado").

Trailer Legendado:



Veja imagens de 'O mundo imaginário do Dr. Parnassus'

O grupo de teatro mambembe encena na Londres contemporânea espetáculos que leem a mente de seus espectadores. Só que o poder que permite a Parnassus interpretar o inconsciente de sua plateia e deslumbrá-la vem de um pacto de imortalidade feito com o Diabo (em criativa atuação do cantor Tom Waits).

Heath Ledger e Lily Cole contracenam em cena do filme de Terry Gilliam.

O pagamento do combinado é a posse da filha de Parnassus (na pele da novata Lily Cole) assim que ela complete 16 anos - a não ser que a trupe consiga capturar cinco almas antes da data.

Tenso com a possibilidade de ver sua herdeira nas mãos do demônio, Parnassus aceita modernizar seus shows para amealhar as almas necessárias e sofre com a exigência cada vez maior de penetrar mentes alheias.

Ledger em cenários surreais
O passeio pelos devaneios da plateia é a deixa para Gilliam (de "Os doze macacos", "Brazil - O filme" e responsável pelas animações do seriado cômico "Monty Python") desfilar seu notório apreço pela psicodelia. O visual caprichado garantiu ao filme indicações aos Oscar de direção de arte e figurino em 2009.

Christopher Plummer e Tom Waits, como Parnassus e o Diabo, respectivamente.

"Dr. Parnassus" é repleto de paisagens deslumbrantes e perturbadoras, que lembram obras de arte. Há cenas que trazem à mente desde quadros de Dalí (as quilométricas escadas de uma das perfomances oníricas da trupe se assemelham às patas de mosquito dos elefantes do artista) até pinturas de Bosch (os cenários em que o Diabo trava contato com Tony se parecem com o inferno de "O jardim das delícias terrenas").

Visual acima do roteiro
Ledger se sai bem no papel do homem que chega à companhia de Parnassus querendo esconder seu passado e passa maus bocados tentando sustentar suas mentiras. Mas a lisergia estética de Gilliam não sustenta o roteiro na ausência do ator.

Depp, Law e Farrell: trio vive o personagem de Ledger, morto em paralelo as filmagens.

Para substituí-lo, o diretor acionou Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, que se revezam nas cenas finais, assumindo o papel do protagonista e conferindo um ar ainda mais amalucado à já insana história. Dá para notar a perda no rumo da trama, como se o filme perdesse fôlego e sentido rumo a seu encerramento.

Ao final, a impressão que fica é a de que a viagem ao fantástico mundo de Gilliam vale mais para os fãs saudosos de Ledger e para os apreciadores de produções em que o esmero visual conta mais que o roteiro.

Fonte: G1

Heath Ledger volta aos cinemas com 'Dr. Parnassus'; relembre a carreira do ator

Já se vão mais de dois anos desde que Heath Ledger fez o mundo acordar sonâmbulo e atônito com a notícia de sua morte. O jovem, talentoso e muito promissor ator australiano morreu aos 28 anos e, nesta próxima sexta-feira (7), eis que Ledger está de volta aos cinemas com seu último filme: O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, filme do qual ele participou apenas nas primeiras semanas de filmagem. Para lembrar o ator, relembre alguns dos filmes que marcaram sua carreira no link abaixo.

» Assista ao trailer de 'Dr. Parnassus'

» Confira fotos de filmes com Heath Ledger

Em Dr. Parnassus, Ledger surge em poucas cenas, todas, no entanto, o desvelam mais uma vez como um ator de trabalho proeminente. O diretor do filme, Terry Gilliam, que se confessou muito deprimido após a morte de Ledger, chegou a pensar em encerrar o projeto. A solução de buscar outros atores que fizessem o mesmo papel terminou sendo bem executada e o imaginário Tony de Ledger se transforma em Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law.

A lembrar que, após sua morte, Ledger ganhou o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante por Batman - Cavaleiro das Trevas (2008), pelo papel do Coringa e, segundo boa parte da crítica, teria merecido a mesma estatueta por Ator Principal com o filme O Segredo de Brokeback Mountain, de 2005.

Entre os últimos filmes de Ledger, destaque para o drama independente Candy (pouco visto) e para sua participação especial em Não Estou Lá, que reúne curtas centrados na figura do músico Bob Dylan. Entre os primeiros, inesquecíveis mesmo são a comédia romântica 10 Coisas que Odeio em Você, de 1999, quando ele fez sua estreia em Hollywood, e o épico igualmente romântico Coração de Cavaleiro, de 2001.

Fonte: Terra

domingo, 2 de maio de 2010

Terry Gilliam fala da última atuação de Ledger

Terry Gilliam: "Heath Ledger se assustou com o que poderia fazer"

O diretor fala da última atuação de Heath Ledger, que filmou Dr. Parnassus depois de ter feito o Coringa em Batman, o cavaleiro das Trevas.

O diretor e artista plástico Terry Gilliam, de 69 anos, considera-se a a ovelha negra do Monty Python, grupo de cômicos que fez sucesso nos anos 70 com um humor nonsense. “Sou o único americano”, diz a Época, por telefone, de Londres, onde ele mora desde 1969, ano em que estreou o programa Monty Python’s Flying Circus na BBC. No início, Gilliam montava as vinhetas surrealistas do programa. Logo passou a atuar e dirigir os melhores filmes do grupo, como “Monty Python e o Santo Graal (1975) e Vida de Brian (1979). Na carreira solo, ele dirigiu “Brasil” (1985), As aventuras do Barão de Munhchausen (1988) e enfrentou uma série de azares. Teve de parar as filmagens de The man who killed Don Quixote em 2001 e só conseguiu finalizar Dr. Parnassus gerenciando uma crise.

ÉPOCA Como surgiu a ideia da trama de Doutor Parnassus?
Terry Gilliam
- A ideia não me ocorreu por inteiro. Ela foi surgindo de uma troca de ideias entre mim e meu parceiro de script Charles McKeown. Eu sempre quis criar um filme a partir de uma trupe de teatro ambulante – e as ideias surgiram num vaivém, a gente se comunicou por email e conversou muito até chegar a um roteiro. E novas ideias fluíram até a pós-produção.

ÉPOCA O senhor comparou as filmagens de Doutor Parnassus a um esforço de malabarismo e a atuação do elenco de livre. Como você equilibra controle e improvisação em seus filmes?
Gilliam
- Se existe improvisação nos meus filmes, ela é cuidadosamente controlada. Há uma estrutura anterior que apoia o improviso. Os atores sugerem alterações, a produção procura adaptar o roteiro às locações. Eu não gosto de perder o pé das coisas. Eu sei o tempo todo o que está acontecendo, mesmo que muitas vezes pareça improviso. O equilíbrio, portanto, beneficia o controle sobre a liberdade, embora esta seja permitida! Apesar dos limites, é um método bastante lúdico de trabalhar.

ÉPOCA Doutor Parnassus contém uma critica à sociedade de consumo. Você acha o consumismo ruim?
Gilliam - Eu odeio o consumismo. Hoje as pessoas são levadas a ficar consumindo o tempo todo, pelas ruas, nos shopping centers ou na internet. Parece que é a único mundo possível para os seres humanos. No Ocidente estamos tão mergulhados nisso que nem nos damos mais conta. As pessoas já não vivem por si mesmas. Existem tantas coisas para consumir e tantas necessidades criadas, que elas vivem num permanente estado de excitação e dívida. Já não tempo para mais nada. Você precisa trabalhar dobrado para pagar suas contas porque têm que atualizar os computadores a cada três meses e fazer upgrades nos seus celulares. O resultado foi a crise econômica em que nos metemos, derivada do colapso do crédito. Para salvar o capitalismo, Gordon Brown [chanceler inglês] fez um discurso pela televisão para convocar as pessoas a voltar às ruas para fazer compras. Como se isso fosse a solução do universo. É no mínimo irresponsável. E voltamos ás ruas! E esse consumismo todo está impedindo as pessoas de ter uma vivência mais profunda em relação ao mundo. O mundo é bem mais interessante do que a imagem que faz dele a nossa sociedade hiperconsumista.

ÉPOCA Atacar o consumismo tem sido uma obsessão sua pelo menos desde Brazil (1985), em que o personagem principal rompe com o sistema. Foi um filme visionário?
Gilliam - Ele fez uma previsão previsível... Já naquele tempo o mundo se anunciava burocrático e consumista. As coisas só fizeram piorar. Talvez agora seja mais difícil romper...

ÉPOCA Na sua opinião ainda é possível salvar o capitalismo?
Gilliam - Gordon Brown e Obama estão se esforçando, e a humanidade costuma de tempos em tempos arranjar um jeito de recompor a ordem mundial de um jeito inédito. Talvez tenha chegado a hora de reconstrução do mundo, sob um novo ponto de vista, um novo modo de vida. Hora de dar uma parada para a reflexão. O capitalismo como está não será capaz de se sustentar. Não há recursos suficientes – naturais ou industriais – para continuar a satisfazer nossa fome de consumo. Uma catastrofe se anuncia, e precisamos nos mexer. Há muita gente se esforçando mundo afora para alterar a situação. Estou de acordo com o que Bono profetiza: “A pobreza é o futuro”. Vamos ter de viver de maneira mais modesta.

ÉPOCA Você considera Doutor Parnassus a sua obra mais pessoal?
Gilliam - Não, porque tudo o que fiz até hoje é essencialmente pessoal. Sou um diretor-autor. O que procuro é produzir filmes criativos e inovadoras que possam sugerir uma expansão da mente e da criatividade das pessoas. Não conseguiria fazer outra coisa. De certa forma, Doutor Parnassus é o meu filme mais transparente. Ali está tudo o que penso sobre o cinema, sobre o mundo e a fantasia.

ÉPOCA Por falar nisso, é verdade que você retomou o projeto de filmar Don Quixote?
Gilliam - Sim. Estamos voltando ao trabalho depois de sete anos. Retomei o roteiro e já o finalizei. Agora temos que buscar recursos.

ÉPOCA É uma fase difícil, especialmente para um cineasta de arte, não?
Gilliam - Não, tudo faz parte do negócio. Não adianta pensar em fazer um longa-metragem sem passar pelo estágio da captação de recursos.

ÉPOCA Por que o senhor escolheu o tema do teatro para filmar?
Gilliam - Eu amo o teatro, embora não vá tanto assistir a peças. Gosto mais do que frequento. O teatro sempre fez parte de meus filmes. Basta lembrar O Barão de Munchausen, que também tem como personagens atores de teatro mambembe. Os atores vivem um drama, porque eles lutam para serem vistos e ouvidos, eles querem atingir as pessoas, abrir os olhos do público para novas sensibilidades - e ninguém dá a mínima para eles. A trupe do Doutor Parnassus percorre Londres com suas peças mágicas e antigas, e só encontra pela frente um público brutalizado e burro. Mas não é só Londres. Vejo isso no mundo todo. É uma pena porque o teatro tem a capacidade de mudar a cabeça das pessoas, alterar profundamente a sensibilidade.

ÉPOCA Você acha que o gosto pela grande arte decaiu neste século?
Gilliam - Sem dúvida. Já não existe a mesma sensibilidade do passado. As pessoas perderam o foco, já não se concentram como antes e o interesse pela arte é mais comercial do que essencial, vamos dizer assim. Hoje as galerias de arte querem alcançar os lances mais altos em leilões, e o conteúdo da arte ficou de lado. O cinema de arte também tem saído de cena... O padrão de gosto ficou mais cínico e superficial.

ÉPOCA Por que em seus filmes a fantasia sempre subverte a realidade, e a coloca em segundo plano? Não é escapismo?
Gilliam - Claro que não. A fantasia é uma coisa fundamental na vida. Seria quase impraticável existir sem sonhar e imaginar, sem viver no mundo paralelo dos devaneios. A fantasia tem um papel decisivo em todos as atividades humanas. Os grandes saltos científicos surgem da imaginação e da fantasia. A ciência progride por meio de saltos poéticos. Atualmente os meios de comunicação, da televisão à internet, estão transformando a visão de mundo. Tenho um filho de 12 anos. Moramos no centro de Londres, a cem metros de uma rua de comércio, num ambiente seguro e protegido. O menino não consegue ir à rua porque só quer ficar vendo televisão e navegando na internet. Isso cria um falso contato com a realidade. E a realidade é bem mais interessante.

ÉPOCA A internet não abriu uma janela para o mundo?
Gilliam - Sim, estamos mais conectados do que nunca e fluxo de informações é imenso. Poderia ser interessante, mas o que circula é fofoca, sexo e notícias a maior parte falsa. Leva muito tempo filtrar a boa informação, e ela existe aos montes, obviamente. Mas eu, para te dizer a verdade, odeio a internet. Odeio usar internet, odeio até mesmo usar email porque isso me tira o tempo que preciso para meus projetos e o que gosto de fazer. Se a gente não toma cuidado, a internet nos transforma em pontos de uma enorme rede. Eu não quero ser só um ponto. Pefiro ser eu mesmo, offline. Sou um sujeito “green”, ecológico, que gosta do mundo real e da fantasia inteligente. (risos)

ÉPOCA O que é computação gráfica e animação à mão em seu filme?
Gilliam - Eu quero que o espectador fique em dúvida sobre os efeitos visuais no filme. Usei os dois métodos, sem que nenhum deles seja um fetiche, apenas ferramentas de trabalho. Comecei minha carreira como animador, então me preocupo muito com o tema.

ÉPOCA Você acha que é possível um casamento entre os dois métodos?
Gilliam - É o que tenho tentado. A computação gráfica não é um demônio a ser exorcizado, nem a animação à mão a panaceia universal. Toda técnica, digital ou tradicional, tem de ser usada em benefício de um aspecto que não deve jamais ser esquecido: a imaginação do artista. É ela que determina os instrumentos de trabalho, não o contrário.

ÉPOCA Como foi lidar com a morte do ator Heath Ledger no meio das filmagens?
Gilliam - Foi um momento terrível, uma grande tragédia que se abateu sobre a equipe. Heath morreu durante uma pausa que deu em Nova York entre as filmagens de Londres e as que faríamos no Canadá. Pensei em parar tudo, porque Tony [o personagem interpretado por Ledger] era central na história. Tivemos então de reformular o roteiro. Faltavam sequências importantes, mas quase todas se passavam no lado de lá do espelho mágico do doutor Parnassus, no universo da fantasia, onde tudo é possível. Então Charles (McKeown) e eu chegamos à solução do impasse: resolvemos convidar os amigos de Heath para preencher suas atuações no mundo da fantasia. Jonnhy Depp, Jude Law e Colin Farrell se encaregaram do papel, oferecendo assim um rosto variado e mutante para Tony do lado de lá do espelho. Acho que o filme ganhou em poesia. Não imaginava que Heath nos deixasse tão jovem, e muito menos em um filme meu. Ele estava vivendo um momento especial, de descoberta de novas possibilidades de atuação. No começo do filme, ele estava vivendo o Coringa, de Batman, o cavaleiro das trevas. Este papel mexeu profundamente com ele, ele até se assustou com o que era capaz de fazer. Ao interpretar Tony, ele traduziu a experiência de Coringa numa explosão criativa que aconteceu com seu Tony em Doutor Parnassus. Ele inspirou o elenco e a equipe. Heath foi um ator extraordinário, cuja evolução jamais conheceremos.

ÉPOCA Você, que já fez Brasil, conhece o Brasil?
Gilliam - Não, nunca viajei ao Brasil. Para mim o Brasil tem uma enorme importância simbólica. É o paraíso, é “Aquarela do Brasil”, a concretização da utopia. Quem sabe eu não filme uma sequência de Brasil, Brasil 2, in loco durante a Olimpíada de 2014? (risos)

Fonte: Revista Época

No mundo de Parnassus

O diretor Terry Gilliam criou O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus - que estreia sexta, nos cinemas - como um filme de acontecimentos extraordinários, em que a magia, muitas vezes, sobrepõe à realidade. Só para se ter uma ideia, o personagem-título (Christopher Plummer) é líder de trupe teatral que, em perigoso jogo de cartas com o Diabo em pessoa (o músico Tom Waits), conquista a imortalidade em troca de entregar sua única filha, Valentina (Lily Cole), assim que complete 16 anos, coisa que acontece no início da trama.

No meio das filmagens, em 2008, um duro golpe obrigou a produção a ser ainda mais criativa. O australiano Heath Ledger, que tinha um dos principais papéis na trama, morreu, depois de acidentalmente exagerar na dose de medicamentos para dormir. Arrasado, o diretor pretendia cancelar o filme. Ledger, então com 29 anos, estava no auge. Seu desempenho como Coringa gerava tremenda expectativa a poucos meses da estreia de Batman - O Cavaleiro das Trevas (o papel lhe rendeu o Oscar póstumo de ator coadjuvante no ano passado). Foi então que a equipe resolveu encarar Dr. Parnassus como homenagem ao jovem e voltou aos estúdios.

O contexto fantástico do longa-metragem ajudou na continuidade sem o ator. Tony, o personagem de Ledger, é um tipo misterioso por quem Valentina se apaixona. Ele é aceito na companhia de teatro e passa a fazer parte das apresentações. A cena em que Ledger entra no espelho mágico de Parnassus serviu de base para a reviravolta. O diretor imaginou então que cada vez que Tony repetisse a experiência, apresentaria novas características. Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell foram escalados para viver as novas faces do personagem. O trio doou o cachê para Matilda, única filha de Ledger, hoje com 4 anos.

Fonte: Diário do Grande ABC

segunda-feira, 29 de março de 2010

Terry Gilliam: "Heath Ledger estava sempre lá"

25.03.2010
Por: Helen Barlow, em Toronto


A meio da rodagem de "Parnassus - o homem que queria enganar o diabo" (título em Portugal), o intérprete morreu. Três actores, Johnny Depp, Jude Law, Colin Farrell, prontificaram-se a salvar o projecto. Mas Heath Ledger "estava sempre lá", diz ao Ípsilon o realizador Terry Gilliam.

Com a mão debaixo do queixo e uma das suas coloridas camisas em forma de casaco - encontrámo-lo no Festival de Toronto -, Terry Gilliam, 68 anos, o Monty Python que se tornou realizador, começa a falar-nos de Heath Ledger, cuja morte abanou a sua vida.
"O rapaz que nunca se tornou num homem", diz, e não esconde as saudades na voz. "Embora fosse um homem, o que é estranho... Ele não morreu jovem, morreu com 240 anos. É por isso que ele dizia que tinha sangue aborígene. Era um rapaz sensato".

Começámos por Ledger porque o actor australiano votava uma admiração ao seu amigo cineasta - foi Gilliam que o ajudou a alcançar reconhecimento crítico, com "Os Irmãos Grimm" (2003). E, sobretudo, porque a morte de Ledger aconteceu a meio da rodagem de "The Imaginarium of Doctor Parnassus".

"Não é certo que Heath estivesse exausto por participar em demasiados projectos", diz o realizador. "De facto, estava cuidadosamente a evitá-los. No ano após 'O Segredo de Brokeback Mountain' [2005] ele aceitava e empilhava tudo o que lhe propunham. Está claro que o seu agente lhe dizia que o momento dele chegara, e Heath estava a encarar isso dessa forma. Mas depois decidiu que não queria fazer os filmes [como "The Tree of Life" de Terrence Malick, papel que iria para Brad Pitt]. Foi por isso que fez o Joker ['O Cavaleiro das Trevas']: um papel pequeno, que envolvia grande quantia de dinheiro, o que lhe dava liberdade".

Mas foi a morte de Ledger e as dificuldades que puseram em perigo "Parnassus - o homem que queria enganar o diabo" que, ironicamente, levaram Gilliam a trabalhar a sua capacidade de invenção. Foi preciso substituir o actor que interpretava a personagem de Tony, um membro de uma companhia de teatro itinerante. A solução foi pouco comum: Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law.

"O que teve piada foi que sempre [ao longo da carreira] tive escolher dentro de um rol de actores sem trabalho e, de repente, três dos mais conceituados quiseram ficar com o papel!" A personagem de Ledger ganha, assim, os rostos de Johnny, Jude e Colin, o que faz sentido porque sendo um vigarista é um homem de várias caras. "Eu vi Johnny no funeral de Heath. 'Queres fazê-lo?'. Ele respondeu: 'Espera um minuto, vou ter que pensar'. E depois disse que sim. Portou-se bem, mas estava apavorado".

O amor dos actores

Mesmo com os actores com pouco tempo, e com ensaios fora de questão, aconteceu algo mágico, conta Gilliam. "De alguma forma, sem personificarem Heath ou Tony, eles sabiam como ele era. Tinham energias semelhantes e puderam fazê-lo. Nenhum de nós trocara confidências sobre como é que as coisas funcionavam, o que faz daquilo que aconteceu uma coisa extraordinária. Quis nomear Heath como co-realizador do filme porque, de alguma forma, ele estava sempre lá."

O motivo para a inclusão dos três actores deveu-se ao facto de cada um deles poder mostrar um lado diferente da personagem que Ledger estava a desempenhar.
"Johnny é o gancho com os espectadores. E foi brilhante. Ele é o gajo fascinante, o único com língua afiada que pode conquistar-nos e fazer qualquer coisa. Jude teve que representar a ambição de Tony, alguém com a cabeça nas nuvens que, de repente, tem algo com que sempre sonhou. Depois aparece Colin e revela a verdadeira história: que Tony é um monstro. Foi a combinação correcta".

(É interessante reparar que os três actores são pequenos, Ledger era alto. "Podemos fazer qualquer coisa no cinema", graceja Gilliam.)
Ao fim e ao cabo, o realizador considera que trabalhou com Ledger na montagem. "Todos os dias ele estava no ecrã. 'Atira-te a isso' ou 'Oh merda! Porque é que fizeste isso?' Foi como se Heath estivesse bem vivo."

Os filmes de Gilliam não fazem o género de todos os actores, embora aqueles que os amam regressem sempre para mais. Depp já trabalhara com Gilliam em "Fear and Loathing in Las Vegas" (1998), enquanto Christopher Plummer (o octogenário canadiano que foi nomeado para o Oscar de melhor secundário pelo seu retrato de Leo Tolstoy em "The Last Station") aceitou o convite do realizador, com quem já trabalhara em "12 Macacos" (1995), para desempenhar Doctor Parnassus, o sábio imortal que fez um pacto com o Diabo e que erra com o seu espelho mágico, uma porta para dentro da imaginação de quem o atravessa - Tony/Ledger atravessa-o, e assim surgem os seus alter-egos, Depp, Farrell, Law.

"Isto é como Prospero e 'A Tempestade', como 'Rei Lear'; tem essa abrangência", diz Gilliam. "Parnassus teria que ser interpretado por este homem com incrível dignidade - apesar de eu suspeitar sempre que ele está a mentir, que é um inútil".

Plummer confessou já ter visto "Brazil" seis vezes e que continua a "não saber o motivo" pelo qual é fã daquilo a que chama "vintage Gilliam". "Terry sente-se sempre vagamente culpado por pôr demasiadas personagens e histórias nos filmes e depois não conseguir criar raízes com os espectadores. Desta vez, não o fez".

Filmar na zona antiga de Londres acrescentou autenticidade, mas não foi fácil, acrescenta. "Ficamos todos com pneumonia, Heath inclusive, mas pelo menos eu vestia grandes túnicas. Ele estava com a sua camisa fina e Londres é uma cidade tão fria no Inverno. Tanto podíamos filmar às 10h ou à meia-noite, quando toda a humidade se acumula. Isso não ajudou, de todo, Heath". A de Ledger não foi a única morte na produção. O co-produtor Bill Vince, 44 anos, lutava contra o cancro durante a rodagem. A sua morte atirou todos os problemas do filme para a outra co-produtora, a filha mais velha de Gilliam, Amy, 32 anos.

"Amy foi atirada para águas profundas", diz Gilliam. "Foi um pesadelo. Ter Colin, Johnny e Jude no programa não foi fácil. Ela foi extraordinária e, provavelmente, a principal responsável para que eu não tenha desistido quando Heath morreu. Eu estava pronto a desistir, era o fim para mim. E ela sempre me incentivou. Há bastante teimosia nos nossos genes", repara com um sorriso.

sábado, 20 de março de 2010

DVD de Parnassus será lançado nos EUA em Abril

A Sony Pictures lançará o filme O Imaginário do Doutor Parnassus em DVD e Blu-ray dia 27 de abril.

Veja abaixo a lista de bônus:

- Comentários com Terry Gilliam (diretor)
- Introdução por Terry Gilliam
- Cenas deletadas com opção de comentários de Terry Gilliam
- Por de trás do espelho
- Construindo o Monastério
- Sequencia progressiva de ''The Drunk''
- Heath Ledger e amigos
- O Imaginário de Terry Gilliam
- Teste de figurino de Heath Ledger com opção de comentários de Terry Gilliam
- Entrevista com Heath Ledger
- Doutor Parnassus ao redor do mundo
- Apresentação do elenco e equipe no palco
- Trabalho artístico de Doutor Parnassus

Ainda não há data para o lançamento do DVD no Brasil, mas já é possível encomendar pela Amazon.

Sinopse: Em The Imaginarium of Doctor Parnassus, Ledger é Tony, um sujeito que entra para o grupo de teatro ambulante do Dr. Parnassus (Christopher Plummer) e ajuda a salvar a filha do doutor (vivida por Lily Cole) das garras do demônio (Tom Waits), com quem o dono do teatro havia feito um trato em favor da imortalidade. Como Ledger não conseguiu terminar as filmagens antes de falecer, seu personagem também é interpretado por Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell.

Créditos: Sherlock (Comunidade Heath Ledger Eternamente)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DVD e Blu-Ray de Dr. Parnassus será lançado em Março

O DVD e Blu-Ray do filme "Dr. Parnassus" será lançado no dia 29 de Março na Grã-Bretanha.
Segundo o site Female First, o filme virá com inúmeros materiais extras, incluindo uma introdução por Terry Gilliam, teste de figurino e maquiagem com Heath Ledger e cenas de bastidores.

Créditos: Monica (Heath Ledger Eternamente)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Terry Gilliam explica como superou a morte de Heath Ledger

O diretor Terry Gilliam explica como superou a morte de Heath Ledger e concluiu 'O imaginário do Dr. Parnassus

Há alguns anos, Terry Gilliam recebeu de um amigo o curioso apelido de Capitão Caos. A motivação partiu do processo de criação do diretor, que procura levar em conta as opiniões de toda a equipe de suas produções. Por um lado, a colaboração é útil para angariar novas ideias. Por outro, opiniões em excesso e sem controle podem significar atrasos, estouros de orçamentos e até o cancelamento de alguns projetos.

O caos, afinal. Considerando o jeito fordista com que a indústria do cinema funciona hoje, é fácil compreender, então, por que Gilliam, apesar de ser celebrado como um dos mais inventivos cineastas em atividade, dirigiu apenas 12 longas-metragens em 40 anos de carreira. Mas fica a pergunta: de que outra forma seria possível dar conta de um filme que se alterna a todo tempo entre realidade e imaginação, traz um visual onírico e esteve ameaçado pela tragédia? A solução para os problemas de "O imaginário do Dr. Parnassus" só poderia ser mesmo o caos. Ou, melhor, o Capitão Caos.

Depois de uma produção que começou em 2007, "O imaginário..." só pôde ser lançado no circuito comercial americano no último Natal e tem previsão de estreia no Brasil apenas para maio. Nele, Parnassus (Christopher Plummer) é o líder de uma trupe de teatro mambembe que passeia pelas ruas de Londres. O sucesso do grupo depende de um espelho mágico, que transforma em realidade a imaginação daqueles que o atravessam. Depende, ainda, do pacto que Parnassus fez com o diabo (Tom Waits) anos atrás e que envolve a alma de sua filha, Valentina (Lily Cole). Mundos imaginários revelados por um espelho estão longe de ser novidade no cinema. Mas, na visão caótica de Gilliam, esses universos se destacam pelo visual caprichado e pela crítica social, dois elementos comuns a seus filmes.

- Nós estamos cercados por muitos espelhos. Televisão, jornais e filmes são todos espelhos do que nós pensamos ser. Ou do que gostaríamos de ser, o que é ainda mais perturbador. Os espelhos deveriam refletir a realidade, mas vivemos numa era de espelhos mentirosos - diz o diretor, em entrevista por telefone ao GLOBO. - O Doutor Parnassus comete muitos erros, mas ao menos sua intenção é boa. Ele tenta encorajar as pessoas a desenvolverem suas imaginações. Escolher ou não o bem no uso da imaginação acaba sendo uma decisão de cada pessoa que se confronta com o espelho.

Okay, Parnassus não é completamente mau, mas o que dizer do caráter de Tony (Heath Ledger), um misterioso homem que é encontrado enforcado sob uma ponte, mas sobrevive e acaba se juntando à trupe? Seu passado vai sendo revelado aos poucos, mas, antes, Tony conquista qualquer um com sua fala mansa e dedicação. Uma das inspirações para elaborar o personagem, diz Gilliam, foi o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

- Nos últimos anos, acho que passei a achar que não há mais limite para a ganância. Quanto mais se tem, mais se quer. Há quem consiga, até, ser gentil publicamente, mas privadamente quer sempre mais. A maioria das pessoas com quem eu lido na indústria do cinema é assim - diz. - Os políticos também são bons exemplos. Veja o Tony Blair. Ele parecia capaz de se sair bem depois de tomar qualquer decisão. Recentemente, li uma entrevista em que ele diz que não teria mandado tropas para o Iraque se soubesse que não havia armas de destruição em massa. É a declaração perfeita. O homem continua insistindo que tem princípios. Mas não tem.

Por causa de Tony - o personagem, não o político -, "O imaginário." talvez tenha sido o primeiro filme de Gilliam em duas décadas que não foi badalado simplesmente por ser um filme de Gilliam. O que mais se comenta é a presença de Heath Ledger em seu último papel no cinema. Quando o ator morreu, em 22 de janeiro de 2008, vítima do uso excessivo de medicamentos, ele estava justamente descansando, em casa, durante um intervalo das filmagens de "O imaginário...".

Gilliam soube da fatalidade pela internet, avisado por sua filha Amy Gilliam, uma das produtoras do filme. Eles esperavam rodar novas cenas com Ledger em poucos dias, mas o choque foi ainda maior porque o diretor e o ator haviam estreitado laços de amizade desde que trabalharam juntos em "Os Irmãos Grimm" (2005). Gilliam, então, resolveu não levar "O imaginário..." adiante.

- Eu simplesmente não acreditei, nós havíamos estado juntos dois dias antes. Fiquei paralisado, era uma notícia inesperada e inexplicável. Eu até achei que poderia ser uma piada de mau gosto de alguém do departamento de marketing da Warner, querendo promover o Coringa (personagem de Ledger em "Batman: O Cavaleiro das Trevas"). Mas realmente aconteceu. Ele está morto - diz. - Minha vontade, naquele momento, era de desistir. Mas o bom de estar cercado por pessoas como minha filha e o fotógrafo Nicola Pecorini é que eles não ouvem o que tenho a dizer. Eu anunciei que não iríamos continuar, mas eles se recusaram a aceitar e insistiram para que eu achasse uma solução que evitasse que o último trabalho do Heath se perdesse e fosse esquecido.

Pelo papel em "Batman", que estreou poucos meses depois de sua morte, Ledger recebeu um Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante. Já pelo contratempo enfrentado por Gilliam, o ator acabou tendo a companhia de Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, os três atores que se revezaram com ele no papel de Tony em "O imaginário...". Além disso, nos créditos finais, em vez de o tradicional "Um filme de Terry Gilliam" surge o texto "Um filme de Heath Ledger e amigos".

- A partir do momento em que minha mente voltou do espaço, foi até simples reescrever. Eu parti do princípio de que, se Tony entrasse no espelho com outra pessoa cuja imaginação fosse mais forte, ele poderia parecer diferente. Poderia parecer o Johnny Depp e não o Heath Ledger. Acho que funcionou - diz Gilliam. - Muita gente acha que alguns diálogos, como quando o Johnny faz um discurso sobre James Dean e a Princesa Diana, foram reescritos por causa do Heath. Mas estava tudo previsto. A cena em que ele aparece enforcado, por exemplo, foi a primeira que filmamos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Equipe de Dr. Parnassus lembra Heath Ledger

"O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus", o último filme protagonizado por Heath Ledger, estreia nos Estados Unidos na sexta-feira, quase dois anos depois da morte do ator australiano, lembrado com emoção por seus companheiros de equipe.

"Sentimos saudades", disse o diretor do filme, Terry Gilliam, em entrevista coletiva em Los Angeles. "Era uma pessoa extraordinária, com um talento infinito, e com os pés no chão. Sempre lembrarei sua grandeza e sua forma de ser, não tinha medo de nada", acrescentou.

O ator morreu aos 28 anos no dia 22 de janeiro de 2008, em Nova York, por uma overdose de medicamentos, em plena gravação deste filme, que Gilliam teve que terminar com a ajuda de Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, que substituíram Ledger em seu papel.

"Chamei pessoas próximas a ele e todos aceitaram. Demos a eles um DVD com o que Heath tinha gravado e eles ensaiaram. Johnny gravou suas cenas em três horas e meia. É um gênio, assim como Jude e Colin. Estiveram brilhantes", afirmou o cineasta.

O filme conta a história do Doutor Parnassus (Christopher Plummer) e seu mundo imaginário se passa em uma Londres contemporânea em forma de teatro ambulante.

O contador de histórias Parnassus consegue fazer com que os personagens interpretados por Lily Cole, Verne Troyer e Andrew Garfield entrem em seu universo imaginário através de um espelho, uma habilidade que ganha por meio de um pacto com o diabo (Tom Waits) que o tornou mortal, mas a um alto custo.

"Parnassus representa quase qualquer artista", afirmou o cineasta. "Entusiasma as pessoas, faz com que observem o mundo com um olhar fresco. Mas ninguém presta atenção nele. Esse é o destino da maioria dos artistas", afirmou.

Um farsante, interpretado por Ledger, Depp, Law e Farrell, se junta ao grupo, e depois de estar à beira da morte, ajuda Parnassus a salvar sua filha (Cole).

Quando o personagem de Ledger atravessa o espelho, seu personagem ganha vida nos rostos dos outros três atores.

O diretor, que trabalhou com Ledger em "Os Irmãos Grimm" (2005), conta que o ator australiano era uma pessoa com muita energia, uma mente "com muita experiência" presa em um corpo jovem.

"Era muito divertido e todo o mundo podia perceber um alma velha e sábia em seu interior. Tinha uma experiência de vida muito maior que podíamos imaginar por sua idade", disse o cineasta.

Cole e Troyer também fizeram declarações nesse sentido.

"Deu tudo pelo papel e ajudava seus companheiros com qualquer detalhe", disse Troyer. "Era uma pessoa incrível", acrescentou.

Já Cole ressaltou a "aprendizagem", tanto profissional quanto pessoal, que adquiriu após trabalhar com o Ledger.

"Aprendi muito observando como atuava, mas, sobretudo, aprendi como pessoa", disse a modelo britânica de 21 anos. "Me chamou a atenção sua extraordinária força vital, sua energia e generosidade. Era alguém capaz de inspirar os demais. O que fazia ia além de qualquer técnica de interpretação", acrescentou.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Jude Law ficou honrado por substituir Heath Ledger

Jude Law: "Fiquei honrado em substituir Heath Ledger"

O ator falou de sua participação no filme "The Imaginarium of Dr. Parnassus"

Jude Law diz que se sentiu honrado pessoal e profissionalmente por ter sido convidado para assumir o papel de Heath Ledger nas gravações finais do filme "The Imaginarium of Dr. Parnassus", que ficou inacabado quando o ator morreu em janeiro de 2008.

"Eu gostava muito de Heath como homem e o admirava como ator. Foi uma homenagem a ele, me senti compelido a fazer", disse Law, segundo a revista "People".

Determinado a terminar o filme, o diretor Terry Gilliam convocou Law, Johnny Depp e Colin Farrell para viver as diferentes encarnações do personagem ao passar por um espelho mágico.

"Tivemos um mês para absorver essa situação, tempo insuficiente para superar isso, mas pensamos em terminar o filme", afirmou Lily Cole, que interpreta Valentina, par romântico dos atores. O longa deve ser lançado nos EUA no próximo dia 8.

Johnny Depp fala sobre substituir Heath Ledger

A trágica morte de Heath Ledger em 22 de janeiro de 2008, deixou o mundo sem um dos mais promissores atores. Também deixou o diretor Terry Gilliam, com metade de “The Imaginarium of Doctor Parnassus“ ainda para ser filmado e nenhum ator para filmar o que faltava.

Dentro deste vazio, surgiram Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law, cada um dos quais desempenham uma encarnação diferente do personagem de Ledger, um solitário misterioso que ajuda o Dr. Parnassus (Christopher Plummer) a salvar a sua filha e sua alma do Diabo (Tom Waits).

Em uma declaração lançada exclusivamente para o Moviefone, Johnny Depp falou sobre a honra e a tristeza de ajudar a completar o último filme de Ledger.

Veja a seguir o que Johnny Depp disse:

“Embora as circunstâncias de minha participação são extremamente comovente e incrivelmente triste, sinto-me privilégiado de ter sido solicitado para terminar esse filme em honra ao nosso querido Heath. Ele era um ator talentosissímo, era como se ele falasse no pescoço de outros atores com um chiado malicioso e com esse sorriso atrevido, 'hey, saiam do meu caminho meninos, estou passando!'