terça-feira, 11 de maio de 2010

Terry Gilliam leva o Dr. Parnassus para além do País das Maravilhas

Parece até sacanagem lançarem no Brasil “O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus”, projeto do ex-Monty Python Terry Gilliam adiado devido à morte prematura de seu astro Heath Ledger, logo depois do irregular “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton. E nem é pela presença de Johnny Depp em ambos. Acontece que Gilliam não precisa de uma história consagrada ou de efeitos 3D em uma sala IMAX para enlouquecer a plateia e superar Burton em todos os sentidos.

Gilliam conta a história do Dr. Parnassus (Christopher Plummer), artista mambembe que roda Londres com sua trupe apresentando um espetáculo bizarro. O público é convidado para atravessar um espelho (opa!) e entrar em um mundo fantástico criado pela sua imaginação. Ao lado do Doutor, a filha prestes a completar 16 anos (Lily Cole), um assistente apaixonado por ela (Andrew Garfield) e um anão (Verne Troyer) dono das melhores falas do filme.

Dr. Parnassus, o artista ancião com mais de mil anos de idade sofre com um vício: não consegue resistir a uma apostinha com o capeta (Tom Waits, sensacional). Enquanto isso, seus funcionários salvam a vida de um jovem misterioso (Heath Ledger) que traz novas perspectivas aos negócios da trupe.

A presença de Heath Ledger em seu derradeiro papel torna “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” um filme mais atípico do que ele já seria normalmente. O ator se foi antes de concluir o trabalho, obrigando Gilliam e seu co-roteirista Charles McKeown a reescrever algumas cenas e contar com a ajuda de alguns amigos famosos. A coisa ficou ainda mais louca, e o personagem de Ledger ganhou as faces de Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, no tributo mais bacana que seus colegas poderiam fazer.

Além de uma solução criativa, a homenagem dá novo sentido a frases antológicas como “nada é permanente, nem a morte” ou “você não pode evitar que uma história seja contada”, transformando o circo de Gilliam em uma experiência quase metalinguística.

Não é seu melhor trabalho e está longe de ser um filme perfeito, mas o talento de Gilliam para o surreal, o visual arrebatador, o clima de magia decadente (lembranças de “As Sete Faces do Dr. Lao”, clássico da Sessão da Tarde) e as performances excepcionais de Ledger e Plummer fazem do “Dr. Parnassus” um filme diferente de tudo que tem saído nos cinemas nos últimos tempos. Obrigatório para quem não precisa de óculos especiais para entrar em mundos imaginários.

Fonte: Pipoca Moderna

Bilheteria de Dr. Parnassus no Brasil

Dr. Parnassus ficou em 14º lugar nas bilheterias do Brasil:

Número de Cópias - 6
Público na Semana - 4.283
Semanas em Cartaz - estréia
Market Share - 0,32%
Público Total - 5.657
Arrecadação (em R$) - 51.661
Arrecadação Total (em R$) - 64.888

Fonte: E-Pipoca
________________________________

Participe da Comunidade Oficial do Filme no Orkut

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Última Loucura de Heath Ledger

A morte do ator durante as filmagens tornou “Dr. Parnassus” obrigatório – e ainda mais delirante

A promessa que O mundo imaginário do dr. Parnassus faz ao espectador é transcender a realidade pela imaginação. Para isso, basta cruzar o espelho ao fundo de um palco. É uma metáfora do escapismo teatral. Mas essa figura de linguagem encontrou, no meio do caminho, a morte real. O astro do longa, o ator Heath Ledger, morreu durante as filmagens. Para salvar o que parecia irremediável, o diretor Terry Gilliam recorreu a uma forma de ilusionismo: a edição digital.

Assim se deu o primeiro encontro do diretor com a alta tecnologia. Antes de ser celebrado pelas visões quiméricas, Gilliam fez fama com vinhetas animadas feitas à mão. Com o início da produção de Dr. Parnassus, em novembro de 2006, expandiu sua arte com técnicas como green screen e CGI (geração de imagens por computador). “Quero que o espectador fique em dúvida sobre os efeitos visuais”, disse. “Usei os métodos manual e digital, sem que nenhum deles vire um fetiche. São ferramentas.”

Foi por causa dos esboços que Ledger se ofereceu para trabalhar no projeto, no início de 2007. O ator estava filmando Batman, O Cavaleiro das Trevas. Apesar de imerso no papel do Coringa (que lhe renderia um Oscar póstumo) e em problemas pessoais, arranjou tempo para atuar no filme do amigo, rodado em locações nos arredores da Ponte Blackfriars, em Londres. E trouxe com ele a filha de 3 anos, Matilda. Ledger se encantou com a fábula sobre um grupo de teatro mambembe que percorre as ruas sujas da cidade em um palco sobre rodas. Assumiu o papel de protagonista, o saltimbanco Tony.

No roteiro, Tony surge pendurado por uma corda na ponte e é resgatado pela trupe, formada pelo mágico Anton (Andrew Garfield), o anão Percy (Verne Troyer) e a ingênua Valentina (Lily Cole). O mentor é o pai dela, Doutor Parnassus (Christopher Plummer). Ele tem 1.000 anos de idade e é capaz de levitar. Adquiriu tais poderes ao fazer um pacto com o senhor Nick (Tom Waits). Em troca, prometeu ao diabo que lhe daria Valentina, quando ela fizesse 16 anos.
O aniversário se aproxima, e Parnassus entra em pânico. A presença de Tony altera o cotidiano da companhia. Até então, os atores tentam inutilmente convidar as pessoas a ver o espetáculo. Quem hoje se encantaria por alegorias esfarrapadas?

Tony introduz novas ideias, como cenários modernos e nu artístico. E convida o público a atravessar o espelho mágico. Os poucos candidatos a cruzá-lo vivem, do outro lado, o que sonhavam. Valentina e Tony se apaixonam. Mas o diabo vem fazer a cobrança. Enquanto Parnassus tenta renegociar a dívida, o casal foge pelo espelho. As filmagens se encerraram nesse ponto da trama. O plano incluía tomadas digitais num estúdio em Vancouver. Ledger fez uma pausa em Nova York, onde morava, para entregar Matilda à mãe, a atriz Michelle Williams, de quem havia se separado. Ele amargava a depressão, com a disputa legal pela guarda da menina. No set, fumava maconha e bebia. “Essa mulher vai me matar”, disse, diante da equipe. Em 22 de janeiro de 2008, foi encontrado morto em seu apartamento, aos 28 anos. A causa oficial da morte foi overdose de medicamentos receitados.

CONTRASTE
A trupe do Doutor Parnassus apresenta uma peça fantástica (e anacrônica) nas ruas da Londres atual. Poucos assistem ao espetáculo

Gilliam pensou em parar. De notória má sorte, já havia passado por situações parecidas: em 2001, suspendeu as filmagens de seu Dom Quixote quando um ator ficou paralisado. Mas decidiu seguir. Tinha um número de sequências com Ledger suficiente para prolongar a vida do personagem por meio digital. Só teria de usar sua também famosa imaginação. Tratou de convencer três amigos de LedgerJude Law, Johnny Depp e Colin Farrell – a viver Tony além do espelho. Cada um viveu uma faceta do herói e, ao mesmo tempo, prestou tributo ao amigo. Assim, Dr. Parnassus ganhou novos ângulos de loucura e extravagância. O filme critica a leviandade da sociedade de consumo e defende a abolição da realidade. Mas a utopia se realizou no mundo concreto. Lá está Heath Ledger vivo, em imagens delirantes. Não poderia haver melhor legado. A arte venceu a morte.

Fonte: Revista Época

sábado, 8 de maio de 2010

Qual foi o melhor papel de Heath Ledger no cinema?

Para você, qual foi o melhor papel do astro Heath Ledger no cinema?

Seu último filme, O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, chegou às telonas nesta sexta (7)

O australiano Heath Ledger, morto em janeiro de 2008, começou a brilhar nas telonas com o sucesso adolescente Dez Coisas que Eu Odeio em Você, em 1999. No ano seguinte, esteve em O Patriota ao lado de Mel Gibson. Depois, o astro trabalhou, entre outros, nos filmes Coração de Cavaleiro, Os Irmãos Grimm, O Segredo de Brokeback Mountain, Casanova, Candy, Não Estou Lá e Batman - O Cavaleiro das Trevas, longa pelo qual recebeu o Oscar póstumo na categoria Melhor Ator Coadjuvante. Nesta sexta-feira (7), os cinemas brasileiros receberam a obra O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, de Terry Gilliam, que conta com a última interpretação de Ledger. Para homenagear o ator, o R7 selecionou seus principais trabalhos e quer saber: qual o melhor papel vivido por ele nos cinemas?

Vote!

Fonte: R7
_______________________

Resultados:

Coringa, de Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008)
44,6%

Patrick Verona, de 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999)
19,3%

Ennis Del Mar, de O Segredo de Brokeback Mountain (2005)
16,1%

William Thatcher, de Coração de Cavaleiro (2001)
12,7%

Gabriel Martin, de O Patriota (2000)
3,5%

Giacomo Casanova, de Casanova (2005)
1,9%

Jacob Grimm, de Os Irmãos Grimm (2005)
0,9%

Anthony "Tony" Shepherd, de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (2009)
0,6%

Dan, de Candy (2006)
0,3%

Robbie, de Não Estou Lá (2007)
00,0%

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estréia de Dr. Parnassus no Brasil

Finalmente, depois de 2 anos de espera, o filme O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Dr. Parnassus), estréia nessa sexta 7/05 no Brasil!

O site Omelete está dizendo que o filme só vai estrear em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas na página do filme no Imdb diz que nessa data, "Dr. Parnassus" vai estrear em todo o Brasil.

Mas as vezes acontece do filme estrear em algumas capitais primeiro e depois estrear no resto do Brasil, quem quiser saber se o filme vai estrear no seu estado, pode dar uma olhada nesse link das próximas atrações do Cinemark.

Quem não puder ver no cinema e estiver louco pra assistir o filme, aqui no blog já estão disponiveis os links para download do filme legendado, é só clicar AQUI.

Bom filme a todos (as)!
________________________________

ATUALIZANDO: O filme só vai passar em alguns cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Vitória (ES), Recife e agora também em Curitiba (pelo menos por enquanto), eu achei esses aqui:

SALAS E HORÁRIOS

São Paulo:

Cine Bombril - Sala 2
14h40 17h 19h20 21h40

Unibanco Arteplex Frei Caneca - Sala 6
16h30 19h 21h30 14h exceto terça

Bourbon Shopping - Espaço Unibanco 9
Horários: 14h – 16h20 – 18h50 – 21h20

Espaço Unibanco Pompeia (Perdizes) - 19:40

Cinemark Shopping Metro Tatuapé - Sala 5
Horário: 14h00

Rio de Janeiro:

Cine Estação Botafogo, 01 - 14h - 16h30 - 19h - 21h20

Estação Barra Point, 01 - 14h30 - 19h20 - 21h40

Estação Vivo Gávea - Shopping da Gávea, 03 - 15h - 17h20 - 19h45 - 22h10.

Rio Grande do Sul:

Unibanco Arteplex - 16:30, 19:00, 21:30

Vitória (Espiríto Santo):

Cine Metrópolis - às 17h (exceto quinta) e 19h

Recife:

Shopping Plaza - 12h10

Shopping Tacaruna - 19h30

Shopping Boa Vista - 20h30

Curitiba:

Cineplex Batel 3 - 13h45 e 16h00
________________________________

Participe da Comunidade Oficial do Filme no Orkut

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Heath Ledger se despede das telas em filme carregado de psicodelia

'O mundo imaginário do Dr. Parnassus' estreia nesta sexta-feira (7). Surrealismo não esconde perda de rumo da trama após a morte do ator.

Nos créditos finais de "O mundo imaginário do Dr. Parnassus", antes mesmo do nome do diretor Terry Gilliam, sobe a frase "um filme de Heath Ledger e seus amigos". A homenagem é uma reverência ao ator, que morreu em janeiro de 2008, meses antes de o filme ser concluído.

Mais que o último parágrafo em seu epitáfio, no entanto, "Dr. Parnassus" é uma evidência do talento do astro de "O Segredo de Brokeback Mountain". À vontade na tela, Ledger parece livre do suposto esgotamento emocional pelo papel de Coringa em "Batman - O Cavaleiro das Trevas", que estreou seis meses depois de sua morte.

Leitura de mentes
"O mundo imaginário do Dr. Parnassus" parte da chegada de um forasteiro, o desmemoriado Tony (vivido por Ledger), à trupe do Dr. Parnassus, interpretado pelo veterano Christopher Plummer (de "Em algum lugar do passado").

Trailer Legendado:



Veja imagens de 'O mundo imaginário do Dr. Parnassus'

O grupo de teatro mambembe encena na Londres contemporânea espetáculos que leem a mente de seus espectadores. Só que o poder que permite a Parnassus interpretar o inconsciente de sua plateia e deslumbrá-la vem de um pacto de imortalidade feito com o Diabo (em criativa atuação do cantor Tom Waits).

Heath Ledger e Lily Cole contracenam em cena do filme de Terry Gilliam.

O pagamento do combinado é a posse da filha de Parnassus (na pele da novata Lily Cole) assim que ela complete 16 anos - a não ser que a trupe consiga capturar cinco almas antes da data.

Tenso com a possibilidade de ver sua herdeira nas mãos do demônio, Parnassus aceita modernizar seus shows para amealhar as almas necessárias e sofre com a exigência cada vez maior de penetrar mentes alheias.

Ledger em cenários surreais
O passeio pelos devaneios da plateia é a deixa para Gilliam (de "Os doze macacos", "Brazil - O filme" e responsável pelas animações do seriado cômico "Monty Python") desfilar seu notório apreço pela psicodelia. O visual caprichado garantiu ao filme indicações aos Oscar de direção de arte e figurino em 2009.

Christopher Plummer e Tom Waits, como Parnassus e o Diabo, respectivamente.

"Dr. Parnassus" é repleto de paisagens deslumbrantes e perturbadoras, que lembram obras de arte. Há cenas que trazem à mente desde quadros de Dalí (as quilométricas escadas de uma das perfomances oníricas da trupe se assemelham às patas de mosquito dos elefantes do artista) até pinturas de Bosch (os cenários em que o Diabo trava contato com Tony se parecem com o inferno de "O jardim das delícias terrenas").

Visual acima do roteiro
Ledger se sai bem no papel do homem que chega à companhia de Parnassus querendo esconder seu passado e passa maus bocados tentando sustentar suas mentiras. Mas a lisergia estética de Gilliam não sustenta o roteiro na ausência do ator.

Depp, Law e Farrell: trio vive o personagem de Ledger, morto em paralelo as filmagens.

Para substituí-lo, o diretor acionou Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, que se revezam nas cenas finais, assumindo o papel do protagonista e conferindo um ar ainda mais amalucado à já insana história. Dá para notar a perda no rumo da trama, como se o filme perdesse fôlego e sentido rumo a seu encerramento.

Ao final, a impressão que fica é a de que a viagem ao fantástico mundo de Gilliam vale mais para os fãs saudosos de Ledger e para os apreciadores de produções em que o esmero visual conta mais que o roteiro.

Fonte: G1

Heath Ledger volta aos cinemas com 'Dr. Parnassus'; relembre a carreira do ator

Já se vão mais de dois anos desde que Heath Ledger fez o mundo acordar sonâmbulo e atônito com a notícia de sua morte. O jovem, talentoso e muito promissor ator australiano morreu aos 28 anos e, nesta próxima sexta-feira (7), eis que Ledger está de volta aos cinemas com seu último filme: O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, filme do qual ele participou apenas nas primeiras semanas de filmagem. Para lembrar o ator, relembre alguns dos filmes que marcaram sua carreira no link abaixo.

» Assista ao trailer de 'Dr. Parnassus'

» Confira fotos de filmes com Heath Ledger

Em Dr. Parnassus, Ledger surge em poucas cenas, todas, no entanto, o desvelam mais uma vez como um ator de trabalho proeminente. O diretor do filme, Terry Gilliam, que se confessou muito deprimido após a morte de Ledger, chegou a pensar em encerrar o projeto. A solução de buscar outros atores que fizessem o mesmo papel terminou sendo bem executada e o imaginário Tony de Ledger se transforma em Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law.

A lembrar que, após sua morte, Ledger ganhou o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante por Batman - Cavaleiro das Trevas (2008), pelo papel do Coringa e, segundo boa parte da crítica, teria merecido a mesma estatueta por Ator Principal com o filme O Segredo de Brokeback Mountain, de 2005.

Entre os últimos filmes de Ledger, destaque para o drama independente Candy (pouco visto) e para sua participação especial em Não Estou Lá, que reúne curtas centrados na figura do músico Bob Dylan. Entre os primeiros, inesquecíveis mesmo são a comédia romântica 10 Coisas que Odeio em Você, de 1999, quando ele fez sua estreia em Hollywood, e o épico igualmente romântico Coração de Cavaleiro, de 2001.

Fonte: Terra

domingo, 2 de maio de 2010

Terry Gilliam fala da última atuação de Ledger

Terry Gilliam: "Heath Ledger se assustou com o que poderia fazer"

O diretor fala da última atuação de Heath Ledger, que filmou Dr. Parnassus depois de ter feito o Coringa em Batman, o cavaleiro das Trevas.

O diretor e artista plástico Terry Gilliam, de 69 anos, considera-se a a ovelha negra do Monty Python, grupo de cômicos que fez sucesso nos anos 70 com um humor nonsense. “Sou o único americano”, diz a Época, por telefone, de Londres, onde ele mora desde 1969, ano em que estreou o programa Monty Python’s Flying Circus na BBC. No início, Gilliam montava as vinhetas surrealistas do programa. Logo passou a atuar e dirigir os melhores filmes do grupo, como “Monty Python e o Santo Graal (1975) e Vida de Brian (1979). Na carreira solo, ele dirigiu “Brasil” (1985), As aventuras do Barão de Munhchausen (1988) e enfrentou uma série de azares. Teve de parar as filmagens de The man who killed Don Quixote em 2001 e só conseguiu finalizar Dr. Parnassus gerenciando uma crise.

ÉPOCA Como surgiu a ideia da trama de Doutor Parnassus?
Terry Gilliam
- A ideia não me ocorreu por inteiro. Ela foi surgindo de uma troca de ideias entre mim e meu parceiro de script Charles McKeown. Eu sempre quis criar um filme a partir de uma trupe de teatro ambulante – e as ideias surgiram num vaivém, a gente se comunicou por email e conversou muito até chegar a um roteiro. E novas ideias fluíram até a pós-produção.

ÉPOCA O senhor comparou as filmagens de Doutor Parnassus a um esforço de malabarismo e a atuação do elenco de livre. Como você equilibra controle e improvisação em seus filmes?
Gilliam
- Se existe improvisação nos meus filmes, ela é cuidadosamente controlada. Há uma estrutura anterior que apoia o improviso. Os atores sugerem alterações, a produção procura adaptar o roteiro às locações. Eu não gosto de perder o pé das coisas. Eu sei o tempo todo o que está acontecendo, mesmo que muitas vezes pareça improviso. O equilíbrio, portanto, beneficia o controle sobre a liberdade, embora esta seja permitida! Apesar dos limites, é um método bastante lúdico de trabalhar.

ÉPOCA Doutor Parnassus contém uma critica à sociedade de consumo. Você acha o consumismo ruim?
Gilliam - Eu odeio o consumismo. Hoje as pessoas são levadas a ficar consumindo o tempo todo, pelas ruas, nos shopping centers ou na internet. Parece que é a único mundo possível para os seres humanos. No Ocidente estamos tão mergulhados nisso que nem nos damos mais conta. As pessoas já não vivem por si mesmas. Existem tantas coisas para consumir e tantas necessidades criadas, que elas vivem num permanente estado de excitação e dívida. Já não tempo para mais nada. Você precisa trabalhar dobrado para pagar suas contas porque têm que atualizar os computadores a cada três meses e fazer upgrades nos seus celulares. O resultado foi a crise econômica em que nos metemos, derivada do colapso do crédito. Para salvar o capitalismo, Gordon Brown [chanceler inglês] fez um discurso pela televisão para convocar as pessoas a voltar às ruas para fazer compras. Como se isso fosse a solução do universo. É no mínimo irresponsável. E voltamos ás ruas! E esse consumismo todo está impedindo as pessoas de ter uma vivência mais profunda em relação ao mundo. O mundo é bem mais interessante do que a imagem que faz dele a nossa sociedade hiperconsumista.

ÉPOCA Atacar o consumismo tem sido uma obsessão sua pelo menos desde Brazil (1985), em que o personagem principal rompe com o sistema. Foi um filme visionário?
Gilliam - Ele fez uma previsão previsível... Já naquele tempo o mundo se anunciava burocrático e consumista. As coisas só fizeram piorar. Talvez agora seja mais difícil romper...

ÉPOCA Na sua opinião ainda é possível salvar o capitalismo?
Gilliam - Gordon Brown e Obama estão se esforçando, e a humanidade costuma de tempos em tempos arranjar um jeito de recompor a ordem mundial de um jeito inédito. Talvez tenha chegado a hora de reconstrução do mundo, sob um novo ponto de vista, um novo modo de vida. Hora de dar uma parada para a reflexão. O capitalismo como está não será capaz de se sustentar. Não há recursos suficientes – naturais ou industriais – para continuar a satisfazer nossa fome de consumo. Uma catastrofe se anuncia, e precisamos nos mexer. Há muita gente se esforçando mundo afora para alterar a situação. Estou de acordo com o que Bono profetiza: “A pobreza é o futuro”. Vamos ter de viver de maneira mais modesta.

ÉPOCA Você considera Doutor Parnassus a sua obra mais pessoal?
Gilliam - Não, porque tudo o que fiz até hoje é essencialmente pessoal. Sou um diretor-autor. O que procuro é produzir filmes criativos e inovadoras que possam sugerir uma expansão da mente e da criatividade das pessoas. Não conseguiria fazer outra coisa. De certa forma, Doutor Parnassus é o meu filme mais transparente. Ali está tudo o que penso sobre o cinema, sobre o mundo e a fantasia.

ÉPOCA Por falar nisso, é verdade que você retomou o projeto de filmar Don Quixote?
Gilliam - Sim. Estamos voltando ao trabalho depois de sete anos. Retomei o roteiro e já o finalizei. Agora temos que buscar recursos.

ÉPOCA É uma fase difícil, especialmente para um cineasta de arte, não?
Gilliam - Não, tudo faz parte do negócio. Não adianta pensar em fazer um longa-metragem sem passar pelo estágio da captação de recursos.

ÉPOCA Por que o senhor escolheu o tema do teatro para filmar?
Gilliam - Eu amo o teatro, embora não vá tanto assistir a peças. Gosto mais do que frequento. O teatro sempre fez parte de meus filmes. Basta lembrar O Barão de Munchausen, que também tem como personagens atores de teatro mambembe. Os atores vivem um drama, porque eles lutam para serem vistos e ouvidos, eles querem atingir as pessoas, abrir os olhos do público para novas sensibilidades - e ninguém dá a mínima para eles. A trupe do Doutor Parnassus percorre Londres com suas peças mágicas e antigas, e só encontra pela frente um público brutalizado e burro. Mas não é só Londres. Vejo isso no mundo todo. É uma pena porque o teatro tem a capacidade de mudar a cabeça das pessoas, alterar profundamente a sensibilidade.

ÉPOCA Você acha que o gosto pela grande arte decaiu neste século?
Gilliam - Sem dúvida. Já não existe a mesma sensibilidade do passado. As pessoas perderam o foco, já não se concentram como antes e o interesse pela arte é mais comercial do que essencial, vamos dizer assim. Hoje as galerias de arte querem alcançar os lances mais altos em leilões, e o conteúdo da arte ficou de lado. O cinema de arte também tem saído de cena... O padrão de gosto ficou mais cínico e superficial.

ÉPOCA Por que em seus filmes a fantasia sempre subverte a realidade, e a coloca em segundo plano? Não é escapismo?
Gilliam - Claro que não. A fantasia é uma coisa fundamental na vida. Seria quase impraticável existir sem sonhar e imaginar, sem viver no mundo paralelo dos devaneios. A fantasia tem um papel decisivo em todos as atividades humanas. Os grandes saltos científicos surgem da imaginação e da fantasia. A ciência progride por meio de saltos poéticos. Atualmente os meios de comunicação, da televisão à internet, estão transformando a visão de mundo. Tenho um filho de 12 anos. Moramos no centro de Londres, a cem metros de uma rua de comércio, num ambiente seguro e protegido. O menino não consegue ir à rua porque só quer ficar vendo televisão e navegando na internet. Isso cria um falso contato com a realidade. E a realidade é bem mais interessante.

ÉPOCA A internet não abriu uma janela para o mundo?
Gilliam - Sim, estamos mais conectados do que nunca e fluxo de informações é imenso. Poderia ser interessante, mas o que circula é fofoca, sexo e notícias a maior parte falsa. Leva muito tempo filtrar a boa informação, e ela existe aos montes, obviamente. Mas eu, para te dizer a verdade, odeio a internet. Odeio usar internet, odeio até mesmo usar email porque isso me tira o tempo que preciso para meus projetos e o que gosto de fazer. Se a gente não toma cuidado, a internet nos transforma em pontos de uma enorme rede. Eu não quero ser só um ponto. Pefiro ser eu mesmo, offline. Sou um sujeito “green”, ecológico, que gosta do mundo real e da fantasia inteligente. (risos)

ÉPOCA O que é computação gráfica e animação à mão em seu filme?
Gilliam - Eu quero que o espectador fique em dúvida sobre os efeitos visuais no filme. Usei os dois métodos, sem que nenhum deles seja um fetiche, apenas ferramentas de trabalho. Comecei minha carreira como animador, então me preocupo muito com o tema.

ÉPOCA Você acha que é possível um casamento entre os dois métodos?
Gilliam - É o que tenho tentado. A computação gráfica não é um demônio a ser exorcizado, nem a animação à mão a panaceia universal. Toda técnica, digital ou tradicional, tem de ser usada em benefício de um aspecto que não deve jamais ser esquecido: a imaginação do artista. É ela que determina os instrumentos de trabalho, não o contrário.

ÉPOCA Como foi lidar com a morte do ator Heath Ledger no meio das filmagens?
Gilliam - Foi um momento terrível, uma grande tragédia que se abateu sobre a equipe. Heath morreu durante uma pausa que deu em Nova York entre as filmagens de Londres e as que faríamos no Canadá. Pensei em parar tudo, porque Tony [o personagem interpretado por Ledger] era central na história. Tivemos então de reformular o roteiro. Faltavam sequências importantes, mas quase todas se passavam no lado de lá do espelho mágico do doutor Parnassus, no universo da fantasia, onde tudo é possível. Então Charles (McKeown) e eu chegamos à solução do impasse: resolvemos convidar os amigos de Heath para preencher suas atuações no mundo da fantasia. Jonnhy Depp, Jude Law e Colin Farrell se encaregaram do papel, oferecendo assim um rosto variado e mutante para Tony do lado de lá do espelho. Acho que o filme ganhou em poesia. Não imaginava que Heath nos deixasse tão jovem, e muito menos em um filme meu. Ele estava vivendo um momento especial, de descoberta de novas possibilidades de atuação. No começo do filme, ele estava vivendo o Coringa, de Batman, o cavaleiro das trevas. Este papel mexeu profundamente com ele, ele até se assustou com o que era capaz de fazer. Ao interpretar Tony, ele traduziu a experiência de Coringa numa explosão criativa que aconteceu com seu Tony em Doutor Parnassus. Ele inspirou o elenco e a equipe. Heath foi um ator extraordinário, cuja evolução jamais conheceremos.

ÉPOCA Você, que já fez Brasil, conhece o Brasil?
Gilliam - Não, nunca viajei ao Brasil. Para mim o Brasil tem uma enorme importância simbólica. É o paraíso, é “Aquarela do Brasil”, a concretização da utopia. Quem sabe eu não filme uma sequência de Brasil, Brasil 2, in loco durante a Olimpíada de 2014? (risos)

Fonte: Revista Época

No mundo de Parnassus

O diretor Terry Gilliam criou O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus - que estreia sexta, nos cinemas - como um filme de acontecimentos extraordinários, em que a magia, muitas vezes, sobrepõe à realidade. Só para se ter uma ideia, o personagem-título (Christopher Plummer) é líder de trupe teatral que, em perigoso jogo de cartas com o Diabo em pessoa (o músico Tom Waits), conquista a imortalidade em troca de entregar sua única filha, Valentina (Lily Cole), assim que complete 16 anos, coisa que acontece no início da trama.

No meio das filmagens, em 2008, um duro golpe obrigou a produção a ser ainda mais criativa. O australiano Heath Ledger, que tinha um dos principais papéis na trama, morreu, depois de acidentalmente exagerar na dose de medicamentos para dormir. Arrasado, o diretor pretendia cancelar o filme. Ledger, então com 29 anos, estava no auge. Seu desempenho como Coringa gerava tremenda expectativa a poucos meses da estreia de Batman - O Cavaleiro das Trevas (o papel lhe rendeu o Oscar póstumo de ator coadjuvante no ano passado). Foi então que a equipe resolveu encarar Dr. Parnassus como homenagem ao jovem e voltou aos estúdios.

O contexto fantástico do longa-metragem ajudou na continuidade sem o ator. Tony, o personagem de Ledger, é um tipo misterioso por quem Valentina se apaixona. Ele é aceito na companhia de teatro e passa a fazer parte das apresentações. A cena em que Ledger entra no espelho mágico de Parnassus serviu de base para a reviravolta. O diretor imaginou então que cada vez que Tony repetisse a experiência, apresentaria novas características. Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell foram escalados para viver as novas faces do personagem. O trio doou o cachê para Matilda, única filha de Ledger, hoje com 4 anos.

Fonte: Diário do Grande ABC

Batman - The Dark Knight entre as melhores sequências do cinema

O site de locações de DVDs Lovefilm realizou uma pesquisa perguntando quais eram as melhores sequências da história do cinema, para marcar o lançamento de Homem de Ferro 2.

O filme Star Wars: Episódio 5 - O Império Contra-ataca, produzido por George Lucas em 1980, foi eleito a melhor sequência de todos os tempos.

O longa chegou ao primeiro lugar da pesquisa da Lovefilm com 19% dos votos e deixou em segundo lugar o filme O Exterminador do Futuro 2, de James Cameron, lançado em 1991. Em terceiro, aparece O Poderoso Chefão 2, dirigido em 1974 por Francis Ford Coppola.

Em quarto lugar ficou um dos filmes mais bem sucedidos da franquia Batman, Batman - O Cavaleiro das Trevas, dirigido em 2008 por Christopher Nolan e famoso por ser um dos últimos filmes do ator Heath Ledger, morto em 2008.

O Império Contra-ataca já era considerado pelos fãs o melhor filme da série Star Wars, com a batalha no planeta gelado de Hoth, o treinamento de Luke Skywalker por Yoda e o momento chocante no final do filme, quando Darth Vader revela que é o pai de Luke.

O longa foi lançado depois de Star Wars: Episódio 4 - Uma Nova Esperança, lançado em 1977 e que iniciou a saga Star Wars. A saga ainda teria Star Wars: Episódio 6 - O Retorno de Jedi, em 1983 e, a partir de 1999, George Lucas retoma a saga com o lançamento dos três primeiros episódios, A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith.

"Não há como vencer Star Wars, e os fãs participaram muito de nossa pesquisa para estabelecer seu primeiro lugar, como melhor sequência de todos os tempos", afirmou Helen Cowley, editora da página da Lovefilm.

"As sequências de filmes nos dão a chance de ver novamente os personagens de volta à tela, mas é difícil encontrar uma sequência à altura do primeiro filme", acrescentou.

Lista completa:
1. Star Wars Episódio V: O Império Contra Ataca (1980)
2. O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991)
3. O Poderoso Chefão: Parte II (1974)
4. Batman: The Dark Knight (2008)
5. Aliens (1986)

sábado, 1 de maio de 2010

Filmes de Heath Ledger na TV em Maio

03/05 (Segunda) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO 2, às 19h15.

06/05 (Quinta) - Casanova - TNT, às 22h00.

06/05 (Quinta) - Não Estou Lá - Telecine Pipoca, às 01h25.

09/05 (Domingo) - O Segredo de Brokeback Mountain - MGM, às 12h00.

10/05 (Segunda) - O Segredo de Brokeback Mountain - MGM, às 04h00.

10/05 (Segunda) - Honra & Coragem - As Quatro Plumas - HBO, às 15h15.

11/05 (Terça) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO, às 18h15.

13/05 (Quinta) - Honra & Coragem - As Quatro Plumas - HBO 2, às 19h40.

13/05 (Quinta) - Candy - HBO 2, às 22h00.

15/05 (Sábado) - Honra & Coragem - As Quatro Plumas - HBO, às 15h10.

15/05 (Sábado) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO 2, às 22h00.

17/05 (Segunda) - Honra & Coragem - As Quatro Plumas - HBO, às 11h00.

19/05 (Quarta) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO 2, às 19h15.

20/05 (Quinta) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO 2, às 23h05.

22/05 (Sábado) - O Segredo de Brokeback Mountain - MGM, às 00h10.

23/05 (Domingo) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO 2, às 18h20.

24/05 (Segunda) - Honra & Coragem - As Quatro Plumas - HBO 2, às 12h00.

27/05 (Quinta) - Honra & Coragem - As Quatro Plumas - HBO 2, às 13h15.

27/05 (Quinta) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO 2, às 22h00.

30/05 (Domingo) - Honra & Coragem - As Quatro Plumas - HBO, às 13h40.

30/05 (Domingo) - Os Reis de Dogtown - VH1, às 22h00.

31/05 (Segunda) - Batman - O Cavaleiro das Trevas - HBO, às 17h15.
_________________________________

Também postado na Comunidade do Orkut: Heath (O Sorriso Inesquecível)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Blu-Ray 10 Coisas Que Eu Odeio em Você

Ano passado eu disse que ia ser lançado o DVD e o Blu-Ray em comemoração ao 10º aniversário do filme 10 Coisas Que Eu Odeio em Você. Procurando na internet eu achei alguns sites onde dá pra comprar o Blu-Ray do filme.

Nesse site AQUI eu encontrei o Blu-Ray por R$ 93,48, com legenda em português.

Nesse AQUI tá R$ 59,90.

E no Amazon está 21,49 dólares, mas não tem legenda em português.

Ainda não encontrei nenhum site que já tenha o DVD dessa edição no Brasil.
_____________________________

Encontrei essa entrevista do Heath Ledger entre os extras que estão no DVD e no Blu-Ray:

Heath Ledger e o elenco de BBM em Toronto

Heath Ledger e o elenco de Brokeback Mountain chegando ao Festival de Toronto em 2005:



Créditos: Monica (Comunidade Heath Ledger Eternamente)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Heath Ledger foi citado no CQC

Na segunda-feira (12/04), o programa CQC citou Heath Ledger no quadro 'CQTeste' com a dupla Rio Negro e Solimões.

Rafael Cortez perguntou para a dupla: "Qual o nome do ator já falecido que representou um dos caubóis do filme "O Segredo de Brokeback Mountain"?:



A pergunta sobre o Heath é a partir de 5:22 min.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Jake Gyllenhaal fala sobre o amigo Heath Ledger

Ator é capa da 'GQ Magazine' e fala sobre a morte do ator [Heath Ledger] dois anos depois.

Do EGO, em São Paulo

Eles não foram apenas colegas de trabalho em "O Segredo de Brokeback Mountain", Jake Gyllenhaal e Heath Ledger eram muito amigos e, em entrevista à "GQ Magazine", o ator falou sobre a morte de uma pessoa tão querida.

"Eu realmente não gosto de falar sobre isso. Esse período foi muito difícil", disse ele. "Quando fazia 'Brokeback', era como se meu trabalho fosse a única coisa que importava pra mim. Mas, depois do que aconteceu, reconheci que aquilo era trabalho e que a vida é real", desabafou ele sobre a perda de Heath Ledger.

O ator não poupou elogios à memória do amigo. "Ele era muito sensível. Estava sendo solicitado para fazer um monte de coisas juntas, porque as pessoas estavam muito interessadas nele", lembrou.
__________________________

Notícia no G1:

Jake Gyllenhaal diz que morte de Heath Ledger mudou sua forma de ver a vida

Los Angeles (EUA.), 13 abr (EFE).- O ator Jake Gyllenhaal, companheiro de repartição de Heath Ledger em "O Segredo de Brokeback Mountain", disse que sua forma de ver a vida mudou muito depois da morte do ator australiano.

Gyllenhaal, de 29 anos, admitiu em declarações à revista "GQ" - parte delas publicadas hoje pela imprensa americana -, que antes focava todos os seus esforços em sua carreira, mas que a morte de seu amigo em janeiro de 2008 o fez mudar a maneira de ver as coisas.

"A vida é algo que não entendia totalmente. Acho que me dava medo. Tinha sucesso em meu trabalho, o suficiente gravar de vez em quando. Mas (após a morte de Ledger) me dei conta de que era só trabalho. E vi que o resto é o real", afirmou.

Ledger morreu em janeiro de 2008, aos 28 anos, em Nova York, em decorrência de uma overdose de remédios.

Ainda na entrevista, Gyllenhaal conta que terminou há poucos meses sua relação com a atriz Reese Witherspoon e que continua solteiro.

"Acho que é importante para cada homem encontrar a mulher adequada e que cada mulher encontre seu homem adequado. Quem sou eu para dizer que é o mais importante na vida? Eu não sei. Principalmente em minha vida atualmente", afirmou.

O ator vive uma etapa de insegurança pessoal, o que não acredita ser algo negativo. "Estou me dando conta dos meus pontos fortes e das minhas fraquezas. Estou tentando decifrar quem sou", disse.
Os atores Heath Ledger e Jake Gyllenhaal em 2006

Sobre as filmagens de Brokeback Mountain: "Havia algo mágico naquela época. Todos nós dormimos em nossos trailers no primeiro mês das filmagens desse filme. Eu estava dormindo ao lado do trailer de Ang; o trailer de Ang foi ao lado do trailer de Heath e Michelle - eles foram morar juntos [durante as filmagens]. E Michael Hausman, o produtor, trouxe seu trailer Airstream. E foi só nós, por este rio, por um mês. E a gente ia a pé para o set, e comíamos juntos, e gostávamos de fazer o café da manhã, e eu acordava de manhã e via Ang Lee fazendo Tai Chi [Chuan] fora do meu trailer, e foi simplesmente mágico."

Jake e Michelle não conseguem ver BBM: "Eu realmente não gosto de falar sobre isso. Esse período de tempo foi... foi difícil. Ele era muito sensível. Ele não atuava durante vida cotidiana. Ele sabia quem ele era. Eu acho que os atores, muitas vezes, eles sabem como apresentar algo, e isso é parte de seus trabalhos. Acho que ele era apenas muito sensível. Muitas vezes nós fizemos um monte de coisas juntos, porque as pessoas estavam muito interessados nele e acho que nos sentíamos seguros em conjunto. Para um ator tão sério como Heath, ele era louco e engraçado. Dark, mas engraçado. Eu não acho que qualquer um de nós pode ver [Brokeback Mountain] hoje. Lembro-me de falar com Michelle muito recentemente e ela estava como, "eu não sei se era bom ou não."

"Mesmo quando fizemos Brokeback e outras coisas, era o meu trabalho e era a única coisa que me importava. Era como se eu pudesse entender ou definir-me através de fazer isso. Vida, eu não compreendo totalmente. E eu acho que eu estava com medo da vida. E eu tive sucesso no meu trabalho, o sucesso suficiente para que você pudesse continuar lá. Mas depois do que aconteceu... Eu acho que reconheci que era o trabalho. E reconheceu que o real é que importa."


Créditos dessa última parte: Monica (Comunidade Heath Ledger Eternamente)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Twitter do Blog

Agora o blog também tem twitter!

Siga> http://twitter.com/DrParnassus_Br

Grace Woodroofe grava canção sobre Heath Ledger

"Ao longo da história, os compositores escreveram sobre amor e perda, muitas vezes utilizando a música para expressar tristeza. Os músicos que estavam perto de Heath Ledger tem feito o mesmo, o mais conhecido é "Faithfully Remain" de Ben Harper. Agora Grace Woodroofe, a jovem que tinha Heath como chefe e mentor, escreveu uma canção para expressar seus sentimentos de perda. O nome da canção é "H". Enquanto ela não é clara em tudo o que ela diz, em H, Grace fala sobre os doces traços da personalidade que Heath tinha, cheirando seus cigarros, vê-lo magro do lado de fora de uma janela, e as palavras de sabedoria que ele lhe deu.

No vídeo abaixo, Grace se apresenta ao vivo no Teatro Metro, em Sydney, em 9 de abril de 2009. Imediatamente antes da canção, ela dedica a música para a mãe de Heath, padrasto e irmã (the Bells), que estão na platéia."

Fonte: Fórum Heath Heathens

Video: http://www.youtube.com/watch?v=KgnCONPrMF4

Letra
"H."


My dad wrote 4 words on a tiny piece of paper,
these are the stages you'll go through. He said
shock and deep denying sadness,
in time acceptance will come too.
Oh,I wish I could fast-forward time, for that matter rewind.
I know you said time was blind,
now you are in a place that only exists in my mind.

CHORUS:
I have this image of you leaning out the window,
your lungs encapsulating smoke,
but I would give everything to smell your cigarette's burning,
you were always so impassive when you spoke.

I feel you with me all the time,
your guiding hands lead mine,
but I miss the stories that you'd share,
and the little garments that you always used to wear.

I am wearing nothing but your love,
and I can honestly say
that I think about you everyday.

CHORUS.
I have this image of you leaning out the window,
your lungs encapsulating smoke,
but I would give everything to smell your cigarette's burning,
you were always so impassive when you spoke.

Your house is empty, shelves are bare,
your presence felt, but you're not there.
That's where you sit, I mean where you sat,
I am still adjusting to getting used to that.
You won't show up at my door.
Wherever you are I hope you find
what you were searching for.

Créditos: Monica (Comunidade Heath Ledger Eternamente)
___________________

Download da música:
http://www.4shared.com/file/258649506/3065a51c/Grace_Woodroofe_-_H.html

http://www.mediafire.com/file/2odklkzdztx

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Filmes de Heath Ledger na TV em Abril

2/04 (Sexta) - Não Estou Lá - Telecine Cult, às 17h50.

05/04 (Segunda) - Não Estou Lá - Telecine Cult, às 10h30.

11/04 (Domingo) - Casanova - TNT, às 22h00.

11/04 (Domingo) - O Segredo de Brokeback Mountain - Fox, às 22h00.

14/04 (Quarta) - O Segredo de Brokeback Mountain - Fox, às 14h00.

18/04 (Domingo) - O Segredo de Brokeback Mountain - Fox, às 02h00.

27/04 (Terça) - O Patriota - A&E Mundo, às 15h00.

28/04 (Quarta) - O Patriota - A&E Mundo, às 10h00.

29/04 (Quinta) - Ned Kelly - TNT, às 03h50.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Terry Gilliam: "Heath Ledger estava sempre lá"

25.03.2010
Por: Helen Barlow, em Toronto


A meio da rodagem de "Parnassus - o homem que queria enganar o diabo" (título em Portugal), o intérprete morreu. Três actores, Johnny Depp, Jude Law, Colin Farrell, prontificaram-se a salvar o projecto. Mas Heath Ledger "estava sempre lá", diz ao Ípsilon o realizador Terry Gilliam.

Com a mão debaixo do queixo e uma das suas coloridas camisas em forma de casaco - encontrámo-lo no Festival de Toronto -, Terry Gilliam, 68 anos, o Monty Python que se tornou realizador, começa a falar-nos de Heath Ledger, cuja morte abanou a sua vida.
"O rapaz que nunca se tornou num homem", diz, e não esconde as saudades na voz. "Embora fosse um homem, o que é estranho... Ele não morreu jovem, morreu com 240 anos. É por isso que ele dizia que tinha sangue aborígene. Era um rapaz sensato".

Começámos por Ledger porque o actor australiano votava uma admiração ao seu amigo cineasta - foi Gilliam que o ajudou a alcançar reconhecimento crítico, com "Os Irmãos Grimm" (2003). E, sobretudo, porque a morte de Ledger aconteceu a meio da rodagem de "The Imaginarium of Doctor Parnassus".

"Não é certo que Heath estivesse exausto por participar em demasiados projectos", diz o realizador. "De facto, estava cuidadosamente a evitá-los. No ano após 'O Segredo de Brokeback Mountain' [2005] ele aceitava e empilhava tudo o que lhe propunham. Está claro que o seu agente lhe dizia que o momento dele chegara, e Heath estava a encarar isso dessa forma. Mas depois decidiu que não queria fazer os filmes [como "The Tree of Life" de Terrence Malick, papel que iria para Brad Pitt]. Foi por isso que fez o Joker ['O Cavaleiro das Trevas']: um papel pequeno, que envolvia grande quantia de dinheiro, o que lhe dava liberdade".

Mas foi a morte de Ledger e as dificuldades que puseram em perigo "Parnassus - o homem que queria enganar o diabo" que, ironicamente, levaram Gilliam a trabalhar a sua capacidade de invenção. Foi preciso substituir o actor que interpretava a personagem de Tony, um membro de uma companhia de teatro itinerante. A solução foi pouco comum: Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law.

"O que teve piada foi que sempre [ao longo da carreira] tive escolher dentro de um rol de actores sem trabalho e, de repente, três dos mais conceituados quiseram ficar com o papel!" A personagem de Ledger ganha, assim, os rostos de Johnny, Jude e Colin, o que faz sentido porque sendo um vigarista é um homem de várias caras. "Eu vi Johnny no funeral de Heath. 'Queres fazê-lo?'. Ele respondeu: 'Espera um minuto, vou ter que pensar'. E depois disse que sim. Portou-se bem, mas estava apavorado".

O amor dos actores

Mesmo com os actores com pouco tempo, e com ensaios fora de questão, aconteceu algo mágico, conta Gilliam. "De alguma forma, sem personificarem Heath ou Tony, eles sabiam como ele era. Tinham energias semelhantes e puderam fazê-lo. Nenhum de nós trocara confidências sobre como é que as coisas funcionavam, o que faz daquilo que aconteceu uma coisa extraordinária. Quis nomear Heath como co-realizador do filme porque, de alguma forma, ele estava sempre lá."

O motivo para a inclusão dos três actores deveu-se ao facto de cada um deles poder mostrar um lado diferente da personagem que Ledger estava a desempenhar.
"Johnny é o gancho com os espectadores. E foi brilhante. Ele é o gajo fascinante, o único com língua afiada que pode conquistar-nos e fazer qualquer coisa. Jude teve que representar a ambição de Tony, alguém com a cabeça nas nuvens que, de repente, tem algo com que sempre sonhou. Depois aparece Colin e revela a verdadeira história: que Tony é um monstro. Foi a combinação correcta".

(É interessante reparar que os três actores são pequenos, Ledger era alto. "Podemos fazer qualquer coisa no cinema", graceja Gilliam.)
Ao fim e ao cabo, o realizador considera que trabalhou com Ledger na montagem. "Todos os dias ele estava no ecrã. 'Atira-te a isso' ou 'Oh merda! Porque é que fizeste isso?' Foi como se Heath estivesse bem vivo."

Os filmes de Gilliam não fazem o género de todos os actores, embora aqueles que os amam regressem sempre para mais. Depp já trabalhara com Gilliam em "Fear and Loathing in Las Vegas" (1998), enquanto Christopher Plummer (o octogenário canadiano que foi nomeado para o Oscar de melhor secundário pelo seu retrato de Leo Tolstoy em "The Last Station") aceitou o convite do realizador, com quem já trabalhara em "12 Macacos" (1995), para desempenhar Doctor Parnassus, o sábio imortal que fez um pacto com o Diabo e que erra com o seu espelho mágico, uma porta para dentro da imaginação de quem o atravessa - Tony/Ledger atravessa-o, e assim surgem os seus alter-egos, Depp, Farrell, Law.

"Isto é como Prospero e 'A Tempestade', como 'Rei Lear'; tem essa abrangência", diz Gilliam. "Parnassus teria que ser interpretado por este homem com incrível dignidade - apesar de eu suspeitar sempre que ele está a mentir, que é um inútil".

Plummer confessou já ter visto "Brazil" seis vezes e que continua a "não saber o motivo" pelo qual é fã daquilo a que chama "vintage Gilliam". "Terry sente-se sempre vagamente culpado por pôr demasiadas personagens e histórias nos filmes e depois não conseguir criar raízes com os espectadores. Desta vez, não o fez".

Filmar na zona antiga de Londres acrescentou autenticidade, mas não foi fácil, acrescenta. "Ficamos todos com pneumonia, Heath inclusive, mas pelo menos eu vestia grandes túnicas. Ele estava com a sua camisa fina e Londres é uma cidade tão fria no Inverno. Tanto podíamos filmar às 10h ou à meia-noite, quando toda a humidade se acumula. Isso não ajudou, de todo, Heath". A de Ledger não foi a única morte na produção. O co-produtor Bill Vince, 44 anos, lutava contra o cancro durante a rodagem. A sua morte atirou todos os problemas do filme para a outra co-produtora, a filha mais velha de Gilliam, Amy, 32 anos.

"Amy foi atirada para águas profundas", diz Gilliam. "Foi um pesadelo. Ter Colin, Johnny e Jude no programa não foi fácil. Ela foi extraordinária e, provavelmente, a principal responsável para que eu não tenha desistido quando Heath morreu. Eu estava pronto a desistir, era o fim para mim. E ela sempre me incentivou. Há bastante teimosia nos nossos genes", repara com um sorriso.

Vídeo com novas imagens de Heath Ledger

O vídeo contém imagens inéditas que estão no DVD de Dr. Parnassus:



Imagens do vídeo - 118 fotos:
http://www.flickr.com/photos/monicabbm/

Créditos: Monica (Comunidade Heath Ledger Eternamente)